9 de Julho, feriado paulista em homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932

O Brasil inteiro sofria com o desgoverno antidemocrático de Getúlio Vargas, que assumiu através de um golpe pela revolução de 1.930, com a promessa de uma nova Constituição Democrática, o que não aconteceu. Para piorar, depôs os governadores de estados, fechou o Congresso Nacional, as Assembleia Legislativas Estaduais e as Câmaras Municipais.

A economia enfrentava uma forte recessão e andava para trás, mais de 500 grandes fábricas tiveram de fechar as portas e mais de 2 milhões (quando a população era de mais ou menos 17 milhões de habitantes) ficaram desempregados e compunham o cenário triste e desolador da miséria no campo e na cidade.

SP passou a articular, fazendo manifestações pacificamente para a derrubado de Getúlio Vargas e os demais estados viam isso com simpatia. Mas, isso não estava sendo suficiente e sem ter como lutar através da política, não nos restou outra forma e corajosamente, nós paulistas nos rebelamos contra isso e fomos à luta armada.

E para evitar adesões de outros estados, uma propaganda institucional rasteira, de níveo baixo, afirmando falsamente que SP queria se desvincular da Federação, para tornar-se um país próprio, independente do Brasil, divulgada por Getúlio Vargas conseguiu jogar os demais estados, exceto o hoje Mato Grosso do Sul contra o estado de São Paulo. Esse MS foi aliado e lutou junto com os paulistas.

Estudantes, professores, intelectuais, comerciantes, industriais, profissionais liberais entre eles médicos, advogados, engenheiros e outros, inclusive mulheres, junto com políticos ligados à República Velha e ao Partido Democrático, num total de 40.000 voluntários amadores e mais 10.000 da Força Pública Paulista, foram para as frentes de combates nos quatro pontos de divisas do estado de SP, combater contra a poderosa força do Governo Federal, composta de 100.000 homens do Exército, Marinha e Aeronáutica, treinados para combate.

A luta foi desigual: As baixas entre os paulista, oficialmente 634 no Mausoléu (há estimativa de mais de 2.000), contra 1.050 da Força Federal.

Perdemos a batalha, mas a luta por democracia continuou e dois anos após, em 1934 uma nova constituição foi promulgada. (A.N)

Revolução Constitucionalista de 1932, também conhecida como Revolução de 1932 ou Guerra Paulista, foi o movimento armado ocorrido nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, entre julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte.

O golpe de estado decorrente da Revolução de 1930 derrubou o então presidente da república, Washington Luís; impediu a posse do seu sucessor eleito nas eleições de março de 1930, Júlio Prestes; depôs a maioria dos presidentes estaduais (atualmente se denominam governadores); fechou o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas Estaduais e as Câmaras Municipais; e, por fim, cassou a Constituição de 1891, até então vigente.

Getúlio Vargas, candidato derrotado nas eleições presidenciais de 1930 e um dos líderes do movimento revolucionário de 1930, veio a assumir a presidência do governo provisório nacional em novembro de 1930 com amplos poderes, colocando fim ao período denominado República Velha, porém, sob a promessa de convocação de novas eleições e a formação de uma Assembleia Nacional Constituinte para a promulgação de uma nova Constituição.

Contudo, nos anos subsequentes, essa expectativa deu lugar a um sentimento de frustração, dada a indefinição quanto ao cumprimento dessas promessas e acumulado ao ressentimento contra o governo provisório, principalmente no estado de São Paulo, com o fato de Getúlio Vargas governar de forma discricionária por meio de decretos, sem respaldo de uma Constituição e de um Poder Legislativo.

Essa situação fez também diminuir a autonomia que os estados brasileiros gozavam durante a vigência da Constituição de 1891, pois os interventores indicados por Vargas, em sua maioria tenentes, não correspondiam aos interesses dos grupos políticos locais e frequentemente entravam em atritos. Foi a primeira grande revolta contra o governo de Getúlio Vargas.

O levante começou de fato em 9 de julho de 1932 e foi precipitado após a morte de quatro jovens por tropas getulistas em 23 de maio de 1932 durante um protesto contra o Governo Federal.

Após a morte desses jovens, foi organizado um movimento clandestino denominado MMDC (iniciais dos nomes dos quatro jovens mortos: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo) que começou a conspirar contra o governo provisório de Vargas, articulando junto com outros movimentos políticos uma revolta substancial. Houve também uma quinta vítima, Orlando de Oliveira Alvarenga, que também foi baleado naquele dia no mesmo local, mas morreu meses depois.

Nos meses precedentes ao movimento, o ressentimento contra o presidente ganhava força indicando uma possível revolta armada e o governo provisório passou a especular a hipótese de o objetivo dos revoltosos ser a secessão de São Paulo do Brasil.

No entanto, o argumento separatista jamais foi comprovado fidedigno, porém, ainda assim esse argumento foi utilizado na propaganda do governo provisório ao longo do conflito para instigar a opinião pública do restante do país contra os paulistas, obter voluntários na ofensiva contra as tropas constitucionalistas e ganhar aliados políticos nos demais estados contra o movimento de São Paulo.

Quando o estado de São Paulo precipitou a revolta contra o governo provisório de Vargas, seus líderes tinham a expectativa da automática adesão de outros estados brasileiros, dada a solidariedade manifestada por parte das elites políticas dos estados de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e do então Mato Grosso.

Assim, os políticos de São Paulo esperavam apenas um breve conflito militar com uma rápida marcha para o Rio de Janeiro, até então a capital do país, para depor Getúlio. Logo, os revoltosos não organizaram um sistema defensivo em suas fronteiras contra possíveis ofensivas militares dos estados vizinhos.

No entanto, a solidariedade daqueles estados não se traduziu em apoio efetivo, e, com a espera por parte dos paulistas pelos apoios supostamente prometidos, Getúlio Vargas teve tempo de articular uma reação militar de modo a sufocar a revolução ainda nos seus estágios iniciais, obrigando o estado de São Paulo a ter de improvisar em pouco tempo um amplo sistema militar defensivo em suas fronteiras contra a ofensiva de tropas de todos os estados brasileiros, com a exceção do Mato Grosso que se tornou o único estado aliado dos paulistas.

Após quase três meses de intensos combates nos quatro cantos do estado, o conflito foi encerrado em 2 de outubro de 1932 com a rendição do Exército Constitucionalista.

Atualmente, o dia 9 de julho, que marca o início da Revolução de 1932, é a data cívica mais importante do estado de São Paulo e feriado estadual. Os paulistas consideram a Revolução Constitucionalista como sendo o maior movimento cívico de sua história. A lei 12.430, de 20 de junho de 2011, inscreveu os nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo heróis paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932, no Livro dos Heróis da Pátria.

No total, foram 87 dias de combates (de 9 de julho a 4 de outubro de 1932 – sendo os últimos dois dias depois da rendição paulista), com um saldo oficial de 934 mortos, embora estimativas, não oficiais, reportem até 2.200 mortos, sendo que numerosas cidades do interior do estado de São Paulo sofreram danos devido aos combates.

Apesar da derrota militar do movimento, algumas de suas principais reivindicações foram obtidas posteriormente, por exemplo, com a nomeação de um interventor civil e paulista, a convocação de uma Assembleia Constituinte e a promulgação de uma nova Constituição em 1934.

No entanto, essa Constituição teve curta duração, pois em 1937, Vargas fechou o Congresso Nacional, cassou a Constituição vigente e outorgou uma nova Constituição, justificando tais medidas a um suposto extremismo de movimentos políticos da época.

Assim, a partir de então, foi estabelecido o regime ditatorial conhecido como Estado Novo que perdurou até 1945, ano em que Vargas foi deposto por um grupo militar composto por generais, antigos aliados. (Da Wikipédia Livre)

Data 9 de julho de 1932 – 2 de outubro de 1932
Local: Todo o estado de São Paulo e o sul do Mato Grosso (atual Mato Grosso do Sul), Minas Gerais e Rio Grande do Sul
Desfecho: Vitória militar do Governo Provisório; Constituição brasileira de 1934

Beligerantes

São Paulo Estado de São Paulo
Mato Grosso do Sul Estado de Maracaju
Rio Grande do Sul Frente Única Gaúcha

Forças
Força Pública Paulista: 10.000 combatentes, 4 Aviões, 5 Trens blindados (construídos ao longo do conflito) e número incerto de veículos blindados (construídos ao longo do conflito)
Voluntários: 40.000 combatentes e 200.000 alistados
Número incerto de aviões
Frente Única Gaúcha: 450 combatentes

Estado de Maracajú (era o que hoje é o Mato Grosso do Sul): por volta de 3.000 combatentes

Forças Armadas:
Todo o Exército, Marinha e Aviação disponível no país.
Forças Públicas Estaduais
Total: Aproximadamente 100.000 homens ao fim do conflito.
Baixas
São Paulo: – 634 no mausoléu oficial, – 2.000 estimativas sobre todos os combates

  • Sem-número de baixas civis
    Frente Única Gaúcha: cerca de 200
    Estado de Maracajú: mais de 300
    Forças Armadas Brasileiras: 1.050 Mortos e 3.800 Feridos
    Forças Públicas Estaduais: sem número.

História (antes de 1932)
Para compreender os eventos de 1932 é necessário retroceder alguns anos e entender como era a política brasileira nas décadas anteriores. Após a instauração da República, em 1889, o poder foi exercido basicamente pelas oligarquias paulista, representada pelo Partido Republicano Paulista (PRP) e mineira, representada pelo Partido Republicano Mineiro (PRM), na chamada “república do café com leite”.

Já nos primeiros anos da década de 1920 esse modelo passou a ser contestado por setores sociais de pouca visibilidade ou alijados do poder, como podemos constatar pela Revolução de 1924, pelos movimentos tenentistas, pela Coluna Prestes e pela criação do Partido Democrático (PD) em 1926, como dissidência do PRP.

O ano de 1929 marcou o rompimento entre as alianças paulista e mineira. Os paulistas indicaram Júlio Prestes como candidato à presidência da República e em contrapartida, os mineiros apoiaram a candidatura oposicionista do gaúcho Getúlio Vargas.

Um ano depois das eleições, com a vitória de Júlio Prestes, desencadeou-se a Revolução de 1930. Este foi um movimento armado, iniciado em 3 de outubro e liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, que culminou na deposição do presidente da república Washington Luís em 24 de outubro, impedindo a posse do presidente eleito.

Getúlio Vargas assumiu então a chefia do governo provisório em 3 de novembro, data que marcou o fim da chamada República Velha.

O governo de Vargas caracterizou-se pela destituição de líderes locais à frente da política do estado de São Paulo, com a nomeação de interventores, e pela adoção de medidas centralizadoras, em dissonância ao federalismo defendido historicamente pelos paulistas.

O estopim da crise entre São Paulo e governo federal, no entanto, foi causado pela suspensão da constituição de 1891 e não sinalização de promulgação de uma nova.

Manifestações populares de insatisfação encabeçadas por setores tradicionais da política paulista passam a ser frequentes a partir de janeiro de 1932.

Nesse sentido, a morte de quatro estudantes paulistas em confronto com forças do governo e que se tornaram mártires da Revolução – Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo – culminou no MMDC, movimento formado para derrubar o governo varguista.

No dia 9 de julho daquele ano, milhares de paulistas ganharam as ruas da capital e do interior de São Paulo para uma luta armada contra o governo federal.

Lançaram mão às armas estudantes, intelectuais, industriais e políticos ligados à República Velha e ao Partido Democrático. Da mesma forma o engajamento de mulheres foi devidamente explorado nas mensagens de convocação dos homens para o alistamento voluntário.

A luta armada dos constitucionalistas que a princípio contava com o apoio de lideranças do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso acabou restringindo-se ao estado de São Paulo com algumas poucas alianças em regiões isoladas.

Devido à falta de apoio dos estados vizinhos, o despreparo dos voluntários e a insuficiência de armas, os paulistas não tiveram condições de manter a revolução por muito tempo.

A superioridade das tropas federais prevaleceu e em outubro de 1932 as frentes constitucionalistas assinaram a rendição.
Nos anos seguintes houve um processo contínuo de construção da memória do movimento constitucionalista, tornando-o símbolo da identidade paulista.

Diversas famílias de combatentes e veteranos mantiveram registros que continuam sob sua guarda. Porém, grande parte foi doada e hoje pertencem aos acervos de museus do estado de São Paulo e acessíveis para o público em geral. São cartas, fotos, diários, manuscritos, objetos de combate, indumentária, dentre outros que possibilitam o amplo acesso a esses elementos que compõem o imaginário social acerca do conflito e de sua representatividade enquanto marco na história paulista e brasileira. (Do site do Museu da Imigração-SP)

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