Após 34 anos de trabalho na estrada, motorista de ambulância de Itapeva se aposenta

Lembranças de dor e de alegria fazem parte das memórias do motorista de ambulância que serviu a população de Itapeva – Boa parte da história de vida do servidor público Adonias José de Almeida está marcada nas rodovias brasileiras. Foram 34 anos de trabalho. Na memória, ele conserva alegrias e dores

de somente quem acompanhou os caminhos de uma ambulância consegue resgatar. Foram centenas de noites e dias pela estrada, ora com as mãos suando ao volante pela urgência em chegar a um hospital, ora com a tranquilidade de um coração grato pelo milagre que acabou de acontecer. “Vi muitas coisas. Algumas gostaria de esquecer, mas muitas eu faço questão de recordar”, diz o servidor.

Adonias e Eduardo Yamaya, no IPMI Algumas histórias foram relembradas durante a concessão da sua aposentadoria, no último dia 15 de abril, na sede do Instituto de Previdência Municipal de Itapeva (IPMI). Adonias relembrou, por exemplo, da viagem em que conduziu o superintendente do IPMI, Eduardo Yamaya, então com 12 anos de idade, ao hospital em São Paulo no dia 1º de outubro de 1987. “Se eu estou aqui hoje, é também por causa do seu Adonias”, disse Eduardo, em reconhecimento à agilidade e ao esforço do motorista para chegar o mais cedo possível ao Hospital do Servidor Público (IAMSPE).

Para Adonias, o saldo de uma vida dedicada à profissão de motorista é positivo. “Acompanhei crianças no tratamento de câncer ou outras doenças graves e hoje vejo essas crianças curadas. São adultas, já estão constituindo família. É uma alegria muito grande para mim”, diz. Essa alegria, segundo ele, é tão intensa que chega a ofuscar as lembranças de dor, angústia e de morte que o acompanharam dentro da ambulância. “Não havia o que fazer. Eu só podia dirigir, e muitas vezes não tive tempo de chegar ao hospital. Precisei parar no meio do caminho e voltar porque o paciente já não tinha mais vida”, lamenta.

A força para enfrentar situações difíceis é a recompensa maior para as pessoas que se dedicam a essa profissão. Adonias conta também que a oportunidade de conhecer cidades e pessoas também é uma vantagem desse trabalho. Ele iniciou no ofício aos 28 anos, por intermédio da então vice-prefeita de Itapeva, Paulina de Morais. “Ela estava precisando de um motorista e eu, que trabalhava numa empresa de ônibus, fui convidado. Aceitei o desafio”, diz o motorista, que na ocasião nunca antes havia dirigido até outra cidade. “Minha primeira viagem foi para Botucatu (SP). Eu não conhecia nada, mas perguntava para as pessoas, me informava e ia em frente”, conta ele.

Hoje, aos 62 anos e com a aquisição da aposentadoria, as perspectivas são de dias mais tranquilos. A estrada, porém, ainda permanece nos planos de Adonias. Ele já estuda algumas rotas de viagens para aproveitar o conhecimento adquirido ao longo dos anos na estrada. Santa Catarina deve ser o primeiro Estado a ser visitado ao lado da esposa Leila, também servidora pública municipal. “Vou aproveitar o tempo livre com minha família”, diz o aposentado. (Juliana Oliveira, da assessoria de imprensa do IPMI/Itapeva)

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