Autoridades discutem aumento de furtos em Itaporanga

Nesta quarta-feira(16), representantes locais dos poderes Judiciário, Executivo, Legislativo e das polícias Civil e Militar, se reuniram  na sala de audiências do Fórum da Comarca de Itaporanga para discutir a questão do aumento de furtos em residências da cidade.

Estiveram presentes o juiz de Direito substituto Luiz Guilherme Angeli Feichtenberger, o delegado José Carlos Fernandes, o capitão PM Amaral, o sargento PM Veiga, o prefeito José Carlos do Nute Rodrigues, o presidente da Câmara, vereador Sebastião Nogueira de Castilho, o vereador Hudson Torigoe e o assessor jurídico da Prefeitura, advogado José Orandir Ribeiro.

Abrindo a discussão, o prefeito José Carlos do Nute Rodrigues expôs que de uns tempos para cá tem se verificado um aumento da criminalidade, com formação de quadrilhas, furtos, adolescentes envolvidos com drogas e que isso acaba indo para ele. “Sei que as polícias estão agindo, mas a população acha que é o prefeito que tem de melhorar isso”, observou.

Dando seqüência, o juiz Luiz Guilherme colocou sua condição de juiz substituto, ressaltando que a questão seria melhor discutida com um juiz titular, que deverá vir em breve para a Comarca. Observou também que a Comarca está sem promotor, que é o representante do Ministério Público. “A polícia está agindo, mas, a criminalidade existe”, comentou.

Já o advogado José Orandir Ribeiro colocou que o que está ocorrendo em Itaporanga não é uma coisa normal, e que a questão deve ser tratada em conjunto com a administração municipal, com a Câmara, com o juiz, com a PM e com o delegado. “A coisa virou um caos e precisamos dar uma satisfação para a sociedade”, pontuou.

No âmbito da Polícia Militar, o capitão Amaral lembrou que há cerca de dois meses pediu a colaboração da Prefeitura para a aquisição e cessão em comodato de um equipamento eletrônico que transfere via rádio as chamadas do telefone fixo 190, da sede, para as unidades móveis(viaturas), caso essas estejam em atendimento de ocorrências. “Com isso, consigo liberar mais dois PMs, que totalizarão oito policiais na rua, além de dinamizar uma viatura 24 horas”, assegurou o comandante, que deixou claro que o efetivo está completo em Itaporanga e que um aumento é impossível no momento.

Ele explicou que esse sistema, já implantado nos municípios de Taquarituba, Taguaí e Fartura, tem produzido bons resultados, e que o município de Barão de Antonina está em fase de implantação.

E, sobre a criação de uma guarda-municipal sugerida pelo vereador Torigoe, o capitão Amaral disse ser contra porque, constitucionalmente ela não tem poder de polícia. “Mesmo em cidades onde há guarda-municipal com um certo entrelaçamento com a Polícia Militar, isso é uma utopia. Ela poderá servir apenas para vigilância de prédios públicos e em frente a escolas”, ressaltou.

No entanto ele admitiu que a criminalidade tem aumentado no Brasil inteiro, porém, as ações policiais também tem aumentado, e que para enfrentar isso a sociedade tem de colaborar. “A comunidade unida tem de perder o medo de denunciar. É uma questão cultural que precisa ser implantada. O crime está acontecendo e as polícias não estão sendo formalmente informadas. Ou seja, as polícias estão alheias aos fatos. A população precisa denunciar”, conclamou.

Sobre alegações de que nem sempre a PM atende o 190, o capitão deixou claro que isso não pode ocorrer na Polícia Militar do Estado de São Paulo. “Caso ocorra, pelo fato de os PMs estarem em atendimento de alguma ocorrência, o comandante local, o sargento terá de me justificar. Nessa circunstância, o 190 redirecionado para as viaturas será de grande utilidade. Pois os policiais deverão comunicar isso ao solicitante e pedir para aguardar. E, enquanto durar a ocorrência, ao invés do cidadão ligar novamente, várias vezes, são os policiais  é que deverão retornar ao solicitante, monitorando o caso, pedindo ao solicitante informações sobre a evolução do caso. Se isso não ocorrer, ou seja, o 190 não for atendido. Deixo meu telefone celular com os senhores”, esclareceu, anotando seu número para o juiz e para o prefeito.

Por sua vez, o delegado José Carlos Fernandes explicou que os casos de furtos que estão ocorrendo e comovendo a população por causa do boca-a-boca,  referem-se a um período e que de janeiro a agosto foram registradas 22 ocorrências, das quais a maioria foi esclarecida pela Polícia Civil. “Graças a Deus temos apenas furtos. Já Taguaí tem registros de roubo(mão armada). O problema hoje são os menores e depois o consumo de crack. Esses menores, por falta de trabalho, cresceram com a consciência de buscar pelo modo mais fácil, o furto. Alguns foram presos encaminhados para a atual CASA(antiga febem). Alguns se recuperaram e outros não. Nós estamos buscando, levando-os à delegacia. Nossos investigadores, trabalhando à noite e em seus veículos particulares, montam campana, perseguem e têm conseguido prender muitos deles. Antigamente tínhamos ‘ladrôesinhos’, hoje é diferente”, comentou.

Ele observou que tudo está girando em torno da droga e da discriminalização dessa. “Não é o delegado ou o prefeito que vai resolver isso. E, se não houver algo mais abrangente, isso só vai aumentar”, previu.

Fernandes comentou ainda uma atitude recente do Poder Judiciário na concessão de um relaxamento de flagrante de um dos dois envolvidos numa série de furtos na cidade. “Investigamos, esclarecemos, prendemos, elaboramos inquérito, entregamos para a Justiça e duas horas depois o flagrante foi relaxado”, disse ele. A isso, o juiz Luiz Guilherme explicou seu entendimento para aquela concessão, inclusive a falta de promotor.

Finalizando, o delegado informou que está trabalhando numa ação, elaborando inquéritos para prender traficantes e que espera da Justiça a obtenção de mandados de busca e apreensão. “Se é positivo e se vai ocorrer a prisão em flagrante são outros quinhentos. Se prender um traficante, nasce outro”.

No final, foram unânimes da necessidade de as famílias terem religião, de os pais acompanharem mais de perto seus filhos, se aproximarem mais e orientar esses para o caminho do bem, se não, o tráfico e a polícia vão tomar conta deles. Reafirmaram também a necessidade de as vítimas perderem o medo e fazerem o registro de ocorrência, para que a polícia fique sabendo e possa agir. Comunicar erros.

      

    

  
 

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