Celso Amorim recebe da Unesp o título de Doutor Honoris Causa

Ao receber título de Doutor Honoris Causa da Unesp, Celso Amorim diz que busca pela pacificação de conflitos é imperativo moral

Reconhecido por sua atuação à frente das pastas de Relações Exteriores e da Defesa, diplomata recebeu a mais alta honraria concedida pela Universidade a indivíduos que se destacam pelos seus valores humanísticos; contribuição de Amorim para a construção do bloco dos BRICS foi destacada durante homenagem

Em sessão solene do Conselho Universitário realizada na sexta-feira, 21 de junho, no auditório da Escola Paulista da Magistratura, na Consolação, região central de São Paulo, a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp concedeu o título de Doutor Honoris Causa a Celso Amorim, atual assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República.

Amorim é a 22ª personalidade a receber a mais alta honraria concedida pela Universidade, destinada a pessoas que se destacam pelo comprometimento com valores humanísticos intrínsecos à própria missão universitária.

Graduado no Instituto Rio Branco, centro de formação de diplomatas brasileiros, Celso Amorim teve uma trajetória notável no Itamaraty, ocupando postos importantes no exterior e sendo o ministro das Relações Exteriores mais longevo, tendo desempenhado esta função durante os governos Itamar Franco (1993-1994) e Lula (2003-2010). O diplomata foi também secretário de assuntos internacionais do Ministério da Ciência e Tecnologia no governo Sarney e ministro da Defesa no governo Dilma.

No discurso que proferiu após o recebimento do título, afirmou sentir-se “profundamente honrado pelo título” e evocou suas ligações com a Unesp – lançou um livro pela Editora Unesp em 2016. Também rememorou seus tempos no Departamento de Ciência Política e Relações Internacional da Universidade de Brasília, e ressaltou o papel social da universidade.

“Há uma relevante ligação do discurso racional e do debate como elementos que promovem a construção de uma sociedade mais justa. A autonomia científica e a liberdade do pensamento são cruciais para que a produção do conhecimento seja crítica e inovadora. Houve períodos em que o obscurantismo ameaçou, inclusive períodos recentes, a sociedade e a universidade. A universidade então desempenhou papel fundamental na resistência”, disse.

Articulador dos BRICS

Um dos principais articuladores para a criação dos Brics, o bloco dos países emergentes formalmente nascido em 2009 e recentemente ampliado com a entrada de mais cinco integrantes, Amorim fez questão de salientar na sua fala alguns dos desafios atuais da política externa brasileira. Repetiu o que já dissera há alguns dias, em Genebra, sobre as questões relacionadas à imigração que envolvem a Europa, classificando-as como “ressaca do colonialismo” do passado, e instou os países a agirem para cessar com os conflitos.

“Os conflitos no Oriente Médio e no coração da Europa não são ameaças puramente regionais. A busca da paz não é apenas um objetivo a ser seguido por políticos idealistas”, disse. “É um imperativo moral que se impõe a todos os estados, para se pôr em prática com determinação e, sobretudo, com realismo”, disse antes de avaliar o momento atual nas relações internacionais como o mais tenso desde a crise dos mísseis de Cuba, no início dos anos 1960, um dos principais marcos da Guerra Fria.

Em uma breve conversa com o Jornal da Unesp, Amorim resgatou um raciocínio que costuma usar para mostrar como é difícil a diplomacia em tempos de guerra. “É que a paz não é um dado, a gente não percebe quando está em paz. Sempre costumo dizer: paz e liberdade são como o ar. Você só percebe que são importantes quando faltam”, disse.

O final do discurso foi reservado a um alerta sobre o avanço da inteligência artificial mundo afora, em que evocou falas recentes do papa Francisco e pediu que o avanço desta tecnologia não ocorra em detrimento da ação política. “A inteligência artificial coloca questões que afetam a todos e deve, portanto, ser tratada de forma global, preferencialmente no âmbito das Nações Unidas”, disse.

Luciano Morais, professor do Instituto de Artes da Unesp, apresenta-se durante a cerimônia

Durante a solenidade, Amorim assinou o termo de outorga do título de Doutor Honoris Causa e recebeu um diploma e uma placa comemorativa, das mãos do reitor Pasqual Barretti e da vice-reitora Maysa Furlan. “Este título é um reconhecimento público e uma modesta retribuição à sua trajetória, um percurso que é exemplo e inspiração para o homem público e para as gerações futuras”, afirmou o reitor, que qualificou a carreira política e diplomática de Amorim de “ímpar e influente, sob qualquer critério”.

A vice-reitora da Unesp fez um histórico detalhado da trajetória do diplomata, lembrou de sua atuação para validar internacionalmente a decisão do Ministério da Saúde de quebrar as patentes e abrir caminho para a criação dos medicamentos genéricos no governo Fernando Henrique Cardoso e exaltou o papel decisivo de Amorim na criação dos Brics, o bloco formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. “A criação dos Brics é um exemplo cristalino da capacidade de nosso embaixador em articular e construir, inserindo o nosso país na linha de frente das discussões globais”, disse Maysa Furlan.

O Reitor Pasqual Barretti, a Vice-reitora Maysa Furlan e o Secretário-geral da Unesp Erivaldo da Silva, ao lado do homenageado.

Da Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp

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