Cicatrização de feridas crônicas e antídoto contra picadas de abelhas: Anvisa prioriza projetos da Unesp para início de testes clínicos

Agência considera Soro antiveneno de abelhas e Selante de Fibrina estratégicos para o SUS – No último dia 23 de março, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), decidiu priorizar a análise técnica de três ensaios clínicos nacionais, sendo dois deles da Unesp. Trata-se dos projetos do Selante de Fibrina (que facilita a cicatrização de feridas venosas crônicas) e do Soro Antiapílico (antiveneno de abelhas), ambos desenvolvidos pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap), localizado no câmpus da Universidade em Botucatu.

Um dos critérios para esta deferência foi o fato da Anvisa considerar os projetos estratégicos para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Ambos são financiados pelo Decit (Departamento de Ciência e Tecnologia) do Ministério da Saúde, por intermédio do CNPq, envolvendo no total mais de R$ 10 milhões. “É uma experiência pioneira para uma universidade pública brasileira”, comenta o professor Benedito Barraviera, coordenador dos projetos.

Os biofármacos foram desenvolvidos pelos pesquisadores do Cevap durante os últimos 20 anos. Para a produção do Selante de Fibrina, está sendo construído um Laboratório Piloto de Produção de Biofármacos na própria unidade, dentro das Boas Práticas de Laboratório e Produção, iniciativa diferenciada para uma instituição pública. Já para a produção do Soro antiapílico, a tecnologia foi transferida ao Instituto Vital Brazil, de Niterói (RJ), que é um importante Centro produtor de soros hiperimunes para o Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Essa abordagem de medicina translacional utilizada pelo Cevap nos últimos anos tem permitido tirar produtos da bancada dos laboratórios e prepará-los para a aplicação em pacientes. O desafio de transpor a lacuna existente entre a pesquisa fundamental e a clínica é mundial e o Brasil poderá se colocar nos próximos anos como líder na produção de biofármacos devido a sua enorme biodiversidade. “Precisamos, para isso, apostar em ideias inovadoras e formar profissionais preparados para tal”, comenta o professor Rui Seabra Ferreira Júnior, responsável pela produção dos biofármacos e coordenador executivo do Cevap.

Após a devida autorização, o selante de fibrina será aplicado em 40 pacientes com úlceras venosas crônicas e o soro antiapílico em 20 pacientes acometidos por múltiplas picadas de abelhas africanizadas Apis mellifera. Enquanto o primeiro projeto será realizado apenas em Botucatu, o último será multicêntrico e participarão diversos centros do Brasil, membros da Rede Nacional de Pesquisa Clínica. A coordenação dos ensaios clínicos caberá a Unidade de Pesquisa Clínica da Faculdade de Medicina da Unesp – Câmpus de Botucatu (Upeclin), sob a responsabilidade do professor Carlos Caramori.

A Agência de Inovação da Unesp (AUIN) foi a responsável pelo depósito nacional e internacional das patentes envolvidas nos dois processos.

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