Colegiado Regional debate em Coronel Macedo a crise na Saúde Pública

 

(Do Jornal Sudoeste Paulista) Os integrantes da Comissão de Intergestores Regional do Vale do Jurumirim, que integram o Departamento Regional de Saúde (DRS VI – Bauru), se encontraram na quarta-feira, 21, no município de Coronel Macedo. De acordo com informações dos gestores, as atenções se voltaram principalmente para a crise econômica que está afetando diretamente o desempenho no setor da saúde.

Para muitos, é necessário uma espécie de malabarismo, já que o Brasil corre o risco de entrar como a Europa numa ciranda em que o ajuste fiscal reduz o crescimento, o que derruba a arrecadação e leva a pressões por um arrocho cada vez maior. Para contrapor a esse quadro, será lançada a Frente em Defesa do SUS, no dia 29 de outubro, em Brasília (DF).

De acordo com o secretário de Saúde, anfitrião do encontro, Robson Izidoro Macedo, a luta dos municípios deve ser no sentido de garantir o valor necessário para cumprir com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com as estratégias de valorização da atenção básica que deve ser intensificada, com a perspectiva de dificuldade para manter o padrão de atendimento que já existe.

O ajuste fiscal proposto pelo Governo Dilma tirou da saúde R$ 3,8 bilhões em 2014 e R$ 5,9 bilhões em 2015. A previsão para 2016 é de R$ 16,6 bilhões, considerando que qualquer percentual de redução da produção da economia vai gerar uma queda percentual ainda maior na receita para o SUS, o que influenciará diretamente na qualidade dos serviços oferecidos à população.

Os ânimos de vários gestores estiveram exaltados durante o encontro, já que a saúde é de fato, fundamental em qualquer município e, é neste setor que estão sendo refletidos os principais problemas enfrentados com a crise econômica, devido a quedas constantes nos repasses às Prefeituras. Problemas no transporte de pacientes até centros especializados de saúde, frota sucateada e a falta de medicamentos para serem distribuídos aos pacientes da rede básica também fizeram parte da pauta de discussões.

SAMU – Outro tema que foi debatido referiu-se ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que para muitos municípios está representando alto custo. Vários apontaram opiniões favoráveis à saída do SAMU Regional Vale do Jurumirim, que possui sede em Avaré e atende toda a região. Para os gestores, o valor elevado com a manutenção das equipes profissionais, sedes e frota se tornou desnecessário. Através de ofício, Taquarituba já anunciou à regional sua saída do SAMU.

SUS E CORTES – A principal preocupação do Colegiado está relacionada ao Sistema Único de Saúde (SUS), em face dos cortes que esgotaram os recursos para a saúde pública. Uma frente liderada pelo Conselho Nacional de Saúde foi formada e visa defender o SUS e terá por objetivo pressionar o governo para ampliar o orçamento do setor, que recebeu cortes bruscos esse ano. Outro assunto elencado pelo Colegiado adverte também para o risco de cortes crescentes, que devem triplicar em três anos, passando de R$ 3,8 bilhões em 2014 para R$ 16,6 bilhões em 2016.

COLAPSO – O Colegiado teme que o duro golpe nos recursos para a saúde, depois de um processo de crescimento moderado verificado nos últimos anos, termine com um colapso na área. Contenção de gastos na saúde fatalmente reduz ou interrompe serviços como vacinação, consultas e exames, atenção básica e especializada, cirurgias, terapias, oncologia e desabastecimento de medicamentos. A manutenção da atual política macroeconômica leva o SUS a essa espiral de queda. Temas burocráticos ligados à adequação de emendas pelos municípios integrantes da Comissão foram apresentados, assim como a tese de Doutorado sobre: “A prática clínica do enfermeiro na estratégia de Saúde da família”, divulgada por Lúcia Cristina Parenti.

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