CPI ouve auditora dos testes da Fosfo no ICESP

A CPI da Fosfoetanolamina voltou a se reunir nesta quarta-feira, 28/02, dando prosseguimentos aos trabalhos que investigam se os procedimentos realizados pelo Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) com o fármaco seguiram o protocolo e as normas da Anvisa, no sentido de apurar seu resultado, e quanto o governo de São Paulo empregou em recursos para a realização dos testes.
A CPI tem em sua relatoria o deputado estadual Ricardo Madalena e é presidida pelo deputado Roberto Massafera. A próxima sessão está marcada para o dia 7 de março.

Nesta quarta, a CPI ouviu a doutora Regina da Silva Monteiro, do Instituto Piero Pasolini Pesquisas e Estudos Transdisciplinares em Saúde, que trabalhou como auditora dos testes realizados pelo Icesp. Durante todo o depoimento ela deixou clara sua decepção em relação ao modo como foram conduzidos esses testes.

O relator, deputado Ricardo Madalena, quis saber se era possível obter um resultado confiável com os testes da fosfoetanolamina aplicados em 59 pacientes de dez coortes (assim chamado cada tipo de câncer). Do mesmo modo como já havia dito na sessão passada o doutor Sergio Simon, a doutora Regina concordou que é impossível aferir um resultado se não houver pelo menos 14 pacientes testando a substância em cada coorte (a coorte do fígado chegou a contar apenas com um único paciente). Desse modo, seriam necessários pelo menos 140 pacientes, divididos em cada fase da doença. Os testes do Icesp foram feitos somente nos chamados pacientes terminais.

Madalena também perguntou se ela considerava indispensável a farmacocinética (estudo que revela o destino da substância no organismo após sua administração e também determina a dosagem a ser prescrita ao paciente) para testar a droga no ser humano. “Não existe estudo e explicação se não houver a farmacocinética”, disse Regina.

Ao final do depoimento, o deputado Ricardo Madalena agradeceu a presença da testemunha, declarando que o depoimento será de grande valia para o relatório final. Para a próxima sessão, irá depor o médico especializado em oncologia, Antonio Carlos Buzaid, que deixou de comparecer nesta quarta por compromissos assumidos anteriores à convocação.

A CPI da Fosfo tem prazo de 90 dias para concluir as investigações, podendo ser prorrogada por mais 45 dias.

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