Domingos Meira, “antes de ser ator eu sou artista”

Domingos Meira(foto em JK), ator de destaque em várias telenovelas, minisséries e filmes, modelo e produtor de cinema chegando perto dos 33 anos é natural de Botucatu-SP, onde reside sua família. Morou 4 anos no Rio de Janeiro e atualmente vive em São Paulo, trabalhando muito na redação do roteiro de um longa metragem que ele vem mantendo à 7 chaves e para concluí-lo logo, pois em julho já tem contrato para atuação em mais uma novela, que também não revela detalhes. Em entrevista exclusiva a Adauto Nogueira do Itaponews, ele fala da sua trajetória até chegar à fama e aos holofotes. Filho do médico famoso Dr. Domingos Alves Meira, que é professor de medicina na FMB/Unesp, e que foi homenageado em vida emprestando o seu nome ao Hospital Dia de Botucatu, e da professora Maria Sylvia, Domingos inicialmente passou por uma leve resistência da família  e teve de lidar com duas profissões que não combinam: modelo e ator. 


 
Corinthiano, dotado de uma sensibilidade ímpar, Domingos Meira fala um pouco sobre tudo e se considera “um cara da prática”, que nunca tratou seus objetivos, desejos grandiosos e distantes, como sonhos, mas, como metas reais a serem alcançadas.

“Antes de ser ator eu sou artista. Escrevo, produzo, dirijo cinema há muitos anos. Comecei em 1993 fazendo cinema, curtas de ação, sem grana ou know-how. Fiz muitos curtas, cerca de 30 entre 1993 e 2008. Sempre achei que ia estudar cinema, mas acabei estudando artes cênicas.  Nunca parei e sempre fui inquieto e ansioso. Me considero um cara da prática. Comecei estudando em Bauru na USC. Na época eu dava aula de forró em Bauru para me sustentar. Depois de 2 anos vi que estava longe do meu objetivo. Mudei para São Paulo, prestei o vestibular da Fuvest. Passei em cênicas e entrei numa agencia de modelos para tentar ganhar algum trocado para sobreviver e me custear enquanto estudava”, inicia situando o Itaponews. 

E segue: “Eu sempre quis ser ator, fazer TV e cinema de verdade. Sabia que tinha que começar no teatro. Mas nunca tratei meus objetivos como sonhos. Nem os desejos mais grandiosos ou distantes. Sempre os tratei como metas reais a serem alcançadas. A sorte deve fazer a parte dela, mas saber o que quer, correr atrás e estar na hora certa no lugar certo é por nossa conta”  

Fale sobre a sua família

Meus pais vivem em Botucatu, são separados. Meu pai é um infectologista respeitado e reconhecido internacionalmente. Dizem que é o homem que mais sabe sobre malária no mundo…
Minha mãe está sempre por perto me apoiando, incentivando, acredita incondicionalmente no meu trabalho. Ela é fundadora da Ação da Cidadania contra a fome em Botucatu. Professora aposentada, vive para o próximo há mais de 15 anos. 
Tenho irmãos bem mais velhos do que eu, entre eles a Beá, minha grande influência. Ela é uma grande artista plástica. Somos todos muito ligados e passamos o ano todo esperando o Natal para nos reunirmos.
 
Em que fase da sua vida aflorou o gosto pela arte, o desejo de ser ator e produtor de cinema? Como foi isso? 

Eu descobri que era ator ainda quando criança, mentindo para faltar à aula. Forjava os sintomas de gripe e sarava minutos depois…
Participei com 10 anos de um vídeo feito pelo meu cunhado, Guilherme Vasconcelos. Eu adorei a experiência e o resultado agradou. Depois disso eu fui muito estimulado. Anos depois resolvi emprestar uma filmadora VHS e arriscar uns filmes. Nunca mais parei.

E a sua família, mãe professora e pai médico famoso. Qual foi a reação deles ao ver que o filho estava indo para um caminho diferente?

Meu pai demorou um pouco para acostumar com a idéia, queria filho médico. Mas, no fim todos embarcaram. Principalmente quando entrei na USP.
 
Você fez duas coisas antagônicas entre si ao mesmo tempo: estudou arte e comunicação e foi modelo. Como foi lidar com isso para sobreviver? 

Eu ralei muito enquanto cursava a Escola de Comunicação e Arte na Universidade de São Paulo(USP), que não combina com a carreira de modelo. Enfrentei preconceito dos dois lados. 
Cheguei a desfilar algumas vezes e fazer fotos, mas foi na publicidade que eu cresci. Fiz vários comerciais e ganhei confiança da agencia.

Como você foi parar na telinha, a primeira novela?

Um dia um booker da agencia pegou um elevador num hotel com a Tizuka Yamazaki. Ela conversava com o assistente e dizia precisar de um ator no meu perfil pra lançar em sua novela. O Booker, Gelbi, entrou na conversa e me ofereceu.  Eu fiz o teste e peguei minha primeira novela. Metamorphoses na Record, 2004. Primeira novela HD do país e ganhei uma preparação com a consagrada Fátima Toledo. A novela não foi um sucesso, mas meu papel era bem legal e acabei ganhando até prêmios de ator revelação.

Fale um pouco sobre a sua participação em cada uma das novelas e minisséries que vieram pela frente e que te consagraram também como ator  

Da Record eu fui para o SBT onde fiz o Daniel na novela Esmeralda (2005) que acaba de ser reprisada. Foi muito bom, um sucesso.

Então a Globo me chamou para a oficina de atores, mudei para o Rio de Janeiro e cursei os 4 meses.

Ao final, fiz teste para meu melhor trabalho, a minissérie JK (2005-2006). Um papel muito rico, num produto de altíssimo padrão. Dennis Carvalho é um grande diretor e eu estreei na Globo com o pé direito. Assinei um contrato de 3 anos e fui parar na novela das 8,  “Páginas da Vida” (2006). Fiz um papel menor, o modelo vivo Ulisses, que para meu desespero, e do meu pai.. posava nu  para as aulas de arte da Diana (Louise Cardoso). 

Em 2007 participei da minissérie Queridos Amigos, no papel de Lucca, integrante da banda “Arquivo Geral”. A mini se passa nos anos 80 que eu adoro!

Finalmente, em 2008 fiz a novela Ciranda de Pedra, do querido Alcides Nogueira, que por acaso é de Botucatu. Meu papel foi o atrapalhado advogado Dr. Alberto, muita confusão.  Depois disso ainda fiz um “Por toda a minha Vida – Cartola” no papel do musico Mário Reis, com quem sou realmente parecido fisicamente.
 
Paralelamente produzi um curta-metragem em 2006 chamado “3 PEDRAS”, meu primeiro filme com algum investimento e padrão profissional. Ele foi exibido no Festival de Gramado/2008, e outros festivais. Até hoje é meu trabalho autoral favorito. 

E o Domingos Meira garoto propaganda, gostou?

Sempre que dava fazia uns testes aqui em São Paulo para publicidade. Acabei fazendo campanhas muito boas como a do UOL, Bradesco, Itaipava, Pepsi e outros. Publicidade é demais porque é cinema. Tudo acontece em 30 segundos, tem que brilhar!
 
E o Brasil e a política? 

Acredito no país, amo o Brasil, sou contra os políticos profissionais e a continuidade dos governos. 

Nossa imagem e nossa cultura lá fora?

Acho que o mundo ainda não aceitou o poder de nossa cultura e nossa gente. Eles só vão acreditar quando os números confirmarem.

Como você vê a relação do povo brasileiro com a arte?

O brasileiro vivenciaria mais a arte se ela fosse acessível sempre. Nosso povo é pobre e batalhador, define as prioridades, quase sempre a arte fica fora do orçamento. Ainda é coisa da elite. Pelo menos temos uma televisão rica e diversificada.

Comente essa tragédia na região Serrana do Rio e a ocupação consentida nessas áreas de risco.  Houve omissão?

Muitos países sofrem com as chuvas. Muitos países sofrem com as catástrofes climáticas. No Brasil, morrem mais de 500. Morrer com tsunami ou terremotos, ok. Morrer pela chuva… inaceitável!

E sobre São Paulo  e suas enchentes e alagamentos?

Venha para o Parque Aquático São Paulo! 457 anos de tradição! Cross lama, Tietê bóia-cross, Lixo-bol e é claro o gira-boeiro! ingressos na Prefeitura, tratar com Kassab.

Qual é a avaliação que você faz sobre o papel dos veículos de comunicação de massa, principalmente as TVs, suas programações, conteúdos e o comportamento de telespectador? 

Respondo com uma outra pergunta: Será que a culpa pelos conteúdos de baixa qualidade das TVs é das emissoras, ou do público, que estoura a audiência de programas de imprensa marrom, fofoca e câmera genital?  E Tostines? Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?
 
Um bate-bola

Casamento: natural e convencional
Sexo: de preferência todos os dias
Religião: monismo. Eu estou no pai e o pai está em mim. Somos todos UM.
Seu time: Curinthans pra sempre
Atleta: Senna
Ator: Selton Melo
Atriz: Natalie Portman
Político brasileiro: JK
Livro: O TAO da Física – F. Catra
Pirataria: só no caribe
Comida: bacalhau e rabada
Uma coisa que detesta: merchandising 
Seu maior ídolo: Michael Jackson 
 
Agora veja fotos de Domingos Meira
Casamento em Esmeraldo SBT – Daniel e Graziela(Karina Barun)
Ator Ângelo Antonio e a mãe de Domingos, D. Maria Sylvia
Na Banda Arquivo Geral
Em Ciranda de Pedra, de Alcides Nogueira
Em Dia de Ontem
Desfile SPFW
Em outdoor da campanha de internet do Uol
No comercial da Pepsi-Cola
Semana da Moda
Com o sócio Paulo Furtado, na apresentação do filme "3 Pedras" no Festival de Gramado de 2008

 
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