Feriado nesta segunda-feira, 06/03: Itaporanga completa 146 anos de emancipação político-administrativa

 

Nesta segunda-feira, 06/03, Itaporanga comemora 146 anos de emancipação político-administrativa. Logo pela manhã, às 08h, na Concha Acústica, haverá um ato cívico com a participação das escolas do município. Veja fotos no final, com imagens dos anos 60 cedidas por Antonio Gonçalves de Oliveira.

E, aproveitando a ocasião o ItapoNews republica um artigo do advogado da União e historiador itaporanguense Antonio Levi Mendes, que escreveu para a comemoração do aniversário de 140 anos, em 2011.

Antonio Levi Mendes e sua esposa

Nesse artigo, Levi Mendes constou alguns detalhes do desenvolvimento do município, como a determinação do bispo de São Paulo para que frei Pacífico construísse a 1ª. Igreja no topo da colina, local seguro e livre de enchentes. Daí o fato de Itaporanga não ter problemas com alagamentos ou enchentes.

Por Antonio Levi Mendes

Localizada perto da divisa com o Paraná, no Médio Rio Paranapanema, a cidade comemorou no dia 6 de março o aniversário de sua emancipação político-administrativa, quando foi elevada à condição de município, em 1871.

Professor João Castilho

Uma pesquisa do professor João Castilho, nos registros do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de São Paulo permitiu com exatidão a data de fundação de Itaporanga, que surgiu em 21 de agosto de 1845, a partir de uma missão de padres capuchinhos vindos da Itália, organizada pelo Barão de Antonina a fim de promover a catequização dos índios que habitavam o local e encontrar vias de comunicação entre a então Província de São Paulo e o sul do Mato Grosso.

O povoado era chamado de São João Batista da Faxina e esteve vinculado à Vila de Itapeva da Faxina, até ser desmembrado e obter autonomia política em 1871.

No início da formação de Itaporanga, o missionário capuchinho italiano Frei Pacífico de Montefalco, considerado fundador da cidade, esteve abrigado em uma choupana no meio da mata, que servia tanto como residência quanto para realizar celebrações litúrgicas.

Entre os anos de 1849 e 1853, foi construída uma capela rústica e futura matriz de São João Batista, ocasião em que também foi erguida a casa do missionário. Os estudiosos da história de Itaporanga ficavam intrigados com a ausência de desenvolvimento de uma comunidade em torno daquela capela.

Por determinação do bispo de São Paulo, a capela missioneira deveria ser construída no ponto mais alto do território da missão, longe de enchentes e inundações, de forma a propiciar segurança necessária para o desenvolvimento das atividades religiosas e, ainda por determinação da Igreja e em razão de o missionário fundador ser originário da Itália, seguiu-se a tradição greco-romana das acrópoles.

Em junho de 1899, por uma lei provincial, a antiga vila passou a ser denominada de Itaporanga, nome que em tupi-guarani significa “pedra bonita”.

Embora o território fosse banhado por dois grandes rios, o Verde e o Itararé, a povoação não se estabeleceu em suas margens, fato incomum de acontecer na história da quase totalidade de municípios brasileiros.

O então Prefeito Jorge Zimmermann descreveu em memorial, em 1943, que a sede municipal estava “situada numa elevação de mais de quinhentos metros acima do nível do mar, em uma colina de linhas de declive suaves, perfeitamente favorável ao escoamento das águas pluviais, facilitando de modo perfeito o serviço de instalação de água e esgoto”.

Porém, no ponto mais elevado da colina não se encontrava água com facilidade e os rios estavam relativamente distantes do templo, assim como dois córregos, o da Campina e o da Máquina. Esse foi o motivo que levou a casa do missionário a ser erguida nas proximidades de uma fonte de água que existia no local até meados do século passado e onde, por vários anos, funcionou um posto de gasolina (de Sebastião Pedro Monte Sião).

Frei Pacífico de Montefalco respondeu a um processo canônico instaurado contra ele e há relatos de testemunhas referindo-se à sua casa e a sua proximidade com a aquela fonte de água, em um taquaral próximo a uma paineira, onde os viajantes abasteciam os seus animais.

Com a construção dos edifícios da vila, essa fonte verteu num pequeno vale logo adiante, onde surgiram várias minas d’água e foram construídos banheiros públicos.

A casa de Frei Pacífico, ao redor da qual se formou a povoação e vila de São João Baptista do Rio Verde, ficava no quarteirão formado pelas atuais ruas Felipe Vita, 15 de novembro, Montefalco e Sete de setembro.

Há indícios de que a casa de Frei Pacífico ficava onde hoje é casa do Professor João Castilho.

Esses indícios se fortaleceram na medida em que o avô materno do professor foi o último dirigente nomeado, em 1888, para administrar o aldeamento indígena existente na época e porque ela era o único casarão assobradado que existiu naquele quarteirão.

O centro histórico de Itaporanga desenvolveu-se ao redor da residência do missionário Pacífico de Montefalco e em função da proximidade com a fonte de água tão relevante para a sobrevivência das comunidades humanas. Tamanha é a importância desse líquido que também neste mês de março, dia 22, comemora-se o Dia Mundial da Água.

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Antonio Levi Mendes
Antonio Levi Mendes
20 de março de 2017 08:45

Muito obrigado, Pe. Roberto !

Agradecemos ao senhor que, juntamente com os demais monges, dão continuidade – com brilhantismo – ao legado dos monges fundadores de Cister, Roberto, Estevam e Alberico, bem como ao legado missionário de Frei Pacífico de Montefalco.

Registramos também o agradecimento ao amigo e jornalista Adauto Nogueira (jornalista do Sesquicentenário), incansável divulgador de Itaporanga (SP) e região.

Forte abraço !

Pe. Roberto Márcio Xavier Fernandes
Pe. Roberto Márcio Xavier Fernandes
6 de março de 2017 21:59

Caros Dr. Levi Mendes e Prof. João Castilho,
minha sincera admiração e gratidão pelos trabalhos realizados em prol da história da nossa amada “Pedra Bonita”, Itaporanga! Deus os recompense!
Pe. Roberto, o.cist.