Milho safrinha: como potencializar ganhos e reduzir os riscos?

O milho safrinha, assim como qualquer outra cultura, sofre com fatores adversos que reduzem o seu potencial produtivo. Clima, fertilidade do solo, cultivar, plantio, insetos-pragas, doenças e plantas daninhas são os fatores que acabam não permitindo que a cultura alcance patamares de produtividade rentáveis ao produtor.

Entendem-se as dificuldades encontradas pelos agricultores, que muitas vezes ficam sem opções para implementar recomendações técnicas ideais de plantio. Contudo, o zoneamento zgrícola de risco climático (Zarc) estabelece o período de menor risco para o plantio das culturas através de séries históricas e, quando não utilizado, implica probabilidades maiores de prejuízos na safra para os agricultores.

Caso o plantio seja realizado no período correto, mas por questões financeiras ou outro motivo qualquer o agricultor não utilizar cultivares adaptadas para a região, provavelmente não serão atingidos os patamares genéticos produtivos esperados.

Mas não somente a cultivar é importante no plantio. A densidade populacional e a distribuição das plantas no campo (plantabilidade) são fundamentais para uma boa safra. Neste sentido, vários especialistas da área afirmam que em torno de 50% do sucesso de uma boa safra está associado à fase de plantio considerando a época correta, a cultivar adequada e a plantabilidade certa. Porém, se o agricultor não se atentar para a adubação do milho safrinha, todo o esforço dispendido no plantio poderá ser desperdiçado.

Uma das premissas do melhoramento genético é desenvolver o potencial produtivo para que as culturas tenham condições para produzir em áreas onde a fertilidade é corrigida e a adubação é realizada de forma a repor toda a exportação de nutrientes que ocorra pela cultura. Após a lavoura instalada, poderá ocorrer a interferência dos agentes bióticos (insetos-pragas, doenças e plantas daninhas) que podem reduzir a produtividade por volta de 35%. Em casos extremos, essa redução poderá chegar a até 90%.

O uso de cultivares que apresentam resistência a determinados insetos-pragas concomitante com o uso de defensivos químicos, quando detectados os níveis de dano econômico, contribui para o manejo fitossanitário da cultura. A aplicação de produtos através do monitoramento auxilia na identificação e no potencial de dano, aplicando o produto correto, na dose recomendada, procurando respeitar as boas práticas agronômicas e respeitando o meio ambiente.

O controle biológico contribui para o equilíbrio populacional dos agentes benéficos e, portanto, deve estar sempre na visão do produtor para uso, quando disponível. Além disso, o agricultor deve fazer uso de sistemas agrícolas produtivos que auxiliem na redução da incidência desses agentes bióticos através da rotação de culturas, do não revolvimento do solo e do uso de cobertura morta vegetal permanente.

Se o agricultor fizer um planejamento não só econômico, mas também técnico, a probabilidade de aumento na rentabilidade e na sustentabilidade da propriedade será consideravelmente mais alta.

Por Décio Karam, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Ph.D, pesquisador de Manejo de Plantas Daninhas da Embrapa Milho e Sorgo

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicílio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

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Fonte: https://agroclima.climatempo.com.br/

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