Pílula do câncer: CPI apurou que ICESP (Instituto do Câncer) não teria feito testes e estudos necessários

Após quatro meses de trabalhos, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – constituída para apurar os resultados dos testes da Fosfoetanolamina Sintética, desenvolvida por cientistas da USP/São Carlos, em pacientes com câncer, feitos pelo Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp), que ao avaliar 59 pacientes, 58 não apresentaram resposta considerada objetiva pelos médicos, concluindo assim “ausência de benefício clínico significativo” – foi finalizada na semana passada.

Essa comissão, composta pelos deputados Roberto Massafera (presidente), Rafael Silva (vice-presidente) e Ricardo Madalena (relator), em mais de quatro meses de trabalho, ouviu 32 pessoas entre médicos, pesquisadores, cientista e auditores dos testes da substância da fosfoetanolamina sintética realizados no ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), concluiu em relatório, anexando provas, que este órgão (Icesp) foi omisso, usou de má conduta e malversou recursos públicos, em graves circunstâncias contrárias aos interesses públicos. Pede ainda novos testes e recomenda que a suposta irregularidade seja apurada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e pelo Ministério Público Federal. (Ler relatório na íntegra)  .

Outro lado – Ouvido pelo ItapoNews, o Icesp emitiu a seguinte nota:

“O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) esclarece que o estudo clínico realizado para a avaliação da eficácia da substância fosfoetanolamina seguiu rigorosamente os padrões e critérios éticos-científicos utilizados internacionalmente para a pesquisa clínica. Além da participação de cientistas com grande experiência em pesquisas clínicas, o estudo, iniciado em julho de 2016, foi aprovado e acompanhado por diferentes instâncias, incluindo o Comitê de Ética e Pesquisa da Faculdade de Medicina da USP e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisas (CONEP).

O Icesp esclarece ainda que o relatório de conclusão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Assembleia Legislativa de São Paulo, não foi compartilhado com a instituição. Dessa forma, comentários relacionados ao teor do material só poderão ser realizados após o conhecimento e a apuração deste documento final.

Questionamentos sobre resultados científicos são naturais, dessa forma o Instituto do Câncer permanece à disposição para todos os esclarecimentos que se fizerem necessários. O Icesp mantém sua posição de que é por meio da pesquisa e medicina de qualidade que são defendidos os interesses coletivos de todos os pacientes em tratamento contra o câncer no país”.

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