Reunião Clínica discute o AVC e as perspectivas para HC/Unesp se consolidar como referência nacional

O HC, que integra a Rede Brasil AVC, é um dos poucos centros especializados no atendimento de pacientes vítimas desta doença –  Diversos aspectos sobre o Acidente Vascular Cerebral (AVC) foram discutidos durante a IV Reunião Clínica, promovida pela Diretoria Clínica, em conjunto com a Superintendência do Hospital das Clínicas e Serviços de Neurologia Clínica e Cirúrgica da unidade. O encontro foi dia 7 de maio, no salão nobre da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB).

Participaram das reflexões a professora Dra. Sheila Cristina Ouriques Martins, cordenadora do Programa Nacional de Atendimento ao AVC e Dr. Oscar Antônio Grama Hoeppner, médico sanitarista e da Família, da Secretaria de Saúde de Botucatu. Dr. Hoeppner deu detalhes de como o município lida com a doença. Também fizeram parte da reunião docentes do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da FMB.

  O HC, que integra a Rede Brasil AVC, é um dos poucos centros  especializados no atendimento de pacientes vítimas desta doença. Na   abertura do evento, o professor Emílio Curcelli, superintendente do hospital, enfatizou que a instituição inicia com maturidade o  processo de estruturação para ser um dos melhores do País nessa área. Ele ressaltou o empenho e dedicação da equipe – Neurocirurgia e Neuroclínica – que trabalha no atendimento aos pacientes e pontuou o atual momento como histórico na busca pela excelência.

  "Especialização e tecnologia melhoram o prognóstico dos pacientes e possibilitam uma recuperação sem seqüelas. A passividade de aguardar o paciente chegar para fazer alguma coisa não deve existir. É preciso avaliar os resultados e comparar com centros de referência para descobrir falhas. O caminho é investir em ações preventivas",  afirmou prof. Emílio.

 O professor André Balbi, diretor Clínico do HC e coordenador do evento, destacou que esta reunião se diferencia das anteriores por ser  aberta a todos os médicos da região e por contar com a participação  de colegas convidados de outros serviços. Segundo Dr Balbi, nessa  reunião foi possível unir dois serviços diferentes (neurologia clínica  e cirúrgica) com um único objetivo: melhorar a qualidade de  atendimento do paciente em nosso hospital.

 De acordo com ele, esta é uma prova de que, quando unido, o corpo clínico do HC tem condições de  superar grandes dificuldades.  Ao comentar sobre a atual situação do AVC no Brasil, professora Sheila lembrou que são registrados 400 novos casos da doença por ano, o que faz dela a principal causa de morte. Segundo ela, 70% dos doentes não retornam ao trabalho e 35% não conhecem o SAMU (Serviço de Urgência e Emergência) – 
 considerado fundamental para o socorro das vítimas do AVC, transportando-as até a unidade de referência mais próxima.

  Professora Sheila também mencionou que nos hospitais onde há a chamada Unidade de AVC – estrutura que será inaugurada em breve no HC/Unesp – há possibidade de redução de 18% da mortalidade e de 28% da ocorrência de sequelas após recuperação. "Pacientes atendidos nas unidades de AVC têm melhores terapias à disposição, reabilitação precoce, equipe interdisciplinar, atendimento padronizado entre outras vantagens", disse. "O Brasil tem, inclusive, poucos centros especializados e o HC/Unesp possui um deles", elogiou.

Em 1997, o país tinha somente 3 centros de AVC – todos particulares. Em 2008 eram 35, sendo 14 em hospitais públicos. Atualmente, segundo professora Sheila, mais de 99% dos hospitais do Brasil não têm profissionais especializados em AVC e nem unidade específica para esse tipo de atendimento. "Mais de 90% dos hospitais não seguem as recomendações mínimas", observou. Para ela, educação e organização são alguns dos caminhos para melhorar a assistência em AVC.

 "Toda a equipe envolvida no atendimento precisa estar treinada. Também é preciso que estejam preparados para a triagem e classificação de riscos dos pacientes e devem seguir um manual de rotina", pontuou.

 Professor Rodrigo Bazan, do Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria  da FMB e um dos responsáveis pelo atendimento especializado do AVC no HC, comentou em sua apresentação que o HC/Unesp atende de um a dois pacientes vítimas de AVC por dia. A UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Pronto-Socorro da unidade fica em 50% ocupada por vítimas da doença, todo ano.

 A expectativa, de acordo com ele, é, com a inauguração da futura unidade de AVC do Hospital das Clínicas/Unesp, melhorar a oferta de leitos da enfermaria de neurologia para o atendimento destes pacientes. Em seguida, professor Dr. Carlos Clayton Macedo de   Freitas, neurocirurgião que coordena o serviço de neurologia vascular do HC, mostrou o papel da radiologia intervencionista no atendimento desta e de outras patologias.

 Leandro Rocha – Assessoria de Comunicação e Imprensa da FMB e HC/Unesp

 

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