Sidnei Almeida: Sustentabilidade e Economia

O tema sustentabilidade é cada vez mais tratado dentro das empresas e entre os governos, mas é também importante fazermos análise de como tratamos em nosso dia a dia e vermos seus possíveis efeitos.

O conceito de sustentabilidade diz respeito sobre como respeitamos os recursos utilizados na produção de algum bem, de maneira que continue sendo possível produzi-lo no futuro. Os principais recursos, e que normalmente participam ou são afetados por qualquer processo produção, considerados na sustentabilidade são o recursos humanos e o meio-ambiente. No quesito recursos humanos, diz respeito ao bem estar dos funcionários garantindo que as leis de trabalho são seguidas, direitos garantidos, garantindo ainda a ética, inclusão, igualdade de oportunidades e saúde dos colaboradores. Do ponto de vista do meio ambiente é necessário eliminar ou ao menos reduzir os impactos do processo de produção sobre o meio ambiente.

Do ponto de vista de consumidores, algumas atitudes simples podem ajudar na sustentabilidade, como por exemplo, utilização de transportes públicos que gera menor poluição por levar mais pessoas em um único veículo (nem todas as cidades possuem transporte publico de qualidade), questionarmos de onde vem o que consumimos, como foi produzido e transportado, quanto lixo é gerado pelo que consumimos, como descartamos este lixo (importante separação de lixo orgânico e reciclável).

Do lado dos produtores, embora quase sempre o maior lucro seja o objetivo, é importante entender que o lucro a qualquer custo hoje pode ter como conseqüência a inexistência dele no futuro. Desta maneira há necessidade de priorizar a qualidade em relação à quantidade, respeitando o meio ambiente com utilização de energias renováveis, compras de matérias-primas com origem conhecida e que respeitem a sustentabilidade, valorização e respeito às pessoas tanto como recursos como quanto consumidores finais dos produtos. Embora alguns processos produtivos não são possíveis sem impacto ambiental negativo é possível ações para compensar, como plantação de árvores por exemplo.

Paralelo a estes dois agentes econômicos temos os governos e o sistema financeiro que estão quase sempre em busca de políticas públicas que permitam a sustentabilidade através de subsídios. Os bancos hoje já possuem taxas de juros diferenciadas para produções sustentáveis, uma vez que os investidores também analisam pela imagem que os bancos passam para o mercado, e por isso valorizam isso com políticas de juros mais baratos.

Trazendo isso para nosso meio podemos usar como exemplo os produtos orgânicos. A verdade é que qualquer produtor sabe que em principio a produtividade do orgânico é menor, mas por outro lado tem como resultado uma qualidade/sabor diferenciados, pelo qual os consumidores estão quase sempre dispostos a pagar mais por isso (vejam por exemplo frango de granja e o frango caipira –embora não sejam exatamente o mesmo produto).

Além do consumidor direto que podemos analisar em nossa região o próprio mercado de produtos agros (CEASA, restaurantes e grandes redes de supermercados) já paga um “prêmio” por este tipo de produto. Nas grandes redes de supermercados podemos encontrar secções de produtos orgânicos em que quase sempre o preço é superior aos produtos de produção convencional, no entanto quem come por exemplo um tomate orgânico e um de produção convencional sabe que a diferença de sabor vale a diferença no preço.

Uma mudança para um modo de vida ou produção sustentável não é possível, nem saudável para o bolso se feita de forma imediata, porém pode ser feita ao longo do tempo com adaptações e ajustes de custos, o que trará resultados também a longo prazo.

Envie sugestões de temas, dúvidas, críticas através do e-mail [email protected] ou através do Messenger do autor (Sidnei Almeida).

Sidnei Almeida, natural de Itaporanga, formado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Paraná com extensão em Gestão Econômica Financeira pela Fundação Dom Cabral, além de vasta experiência em grandes empresas na área de financeira e crédito e bancos como Banco do Brasil, HSBC, Banco Renault/Santander e atualmente BNP Paribas, líder europeu.

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