Unesp/Botucatu lidera o desenvolvimento de nanocorpos contra a COVID-19

Ensaios pré-clínicos com vistas à preparação de protótipos no combate à doença ocorrerão no primeiro ano do projeto – O Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), localizado no campus de Botucatu, soma forças ao Instituto Biológico de São Paulo, à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), ao Instituto Vital Brazil, à Fundação Ezequiel Dias e a empresas farmacêuticas brasileiras e americanas para desenvolver um tratamento inovador baseado em nanocorpos para o combate à COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus) em pacientes infectados.

Nanocorpos são seres vivos microscópicos do tamanho de um nanômetro, o equivalente à bilionésima parte de um metro. “A realização deste projeto translacional de pesquisa, desenvolvimento e inovação permitirá a produção de anticorpos candidatos para a imediata realização de ensaios clínicos durante a pandemia de Covid-19, tanto para tratamento quanto para profilaxia”, destaca Rui Seabra Ferreira Junior, coordenador da equipe, professor e pesquisador do Cevap.

“Além disso, o domínio e a geração dessa tecnologia permitirão a implantação de uma plataforma de produção de anticorpos recombinantes em dois grandes laboratórios públicos brasileiros que produzem medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS)”, acrescenta o cientista.

“[O projeto] Contribuirá também para o estabelecimento de uma nova linha de pesquisa e desenvolvimento na Unesp, alinhada aos objetivos da futura Fábrica de Amostras de Medicamentos Biológicos para Pesquisa Clínica da Unesp, em início de construção em Botucatu”, afirma o pesquisador.

Ensaios

Os nanocorpos serão produzidos em camelídeos (camelos, lhamas, alpacas, vicunhas e guanacos) que, ao serem desafiados pelo novo coronavírus, fabricam anticorpos de baixa massa molecular, mas com elevada capacidade neutralizante. Estas características permitem que a porção de interesse seja copiada para produção escalonável em laboratório.

Segundo o coordenador da equipe, os ensaios pré-clínicos visando à preparação de protótipos candidatos serão realizados já no primeiro ano do projeto e os ensaios clínicos de segurança e de ajuste de dose ocorrerão no segundo ano da pesquisa.

“Ao usar a estratégia de cooperação multidisciplinar e multi-institucional, que mescla capacidades acadêmicas e técnicas de produção industrial, acrescidas da terceirização de algumas etapas do projeto, diminuiremos custos, aumentaremos a reprodutibilidade e a qualidade e ainda conseguiremos desenvolver um protótipo candidato em menos tempo, que atenda às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início dos ensaios clínicos”, finaliza Rui Seabra Ferreira Junior. (Da Assessoria de Imprensa do Governo do Estado)

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