Riversul se destaca na Olimpíada de Língua Portuguesa: aluna da escola Lázaro Soares é classificada na Etapa Estadual

A Olimpíada de Língua Portuguesa chegou na sua 6ª edição. Foram mais de 9.000 professores inscritos no estado de São Paulo.

Entre eles, professores da cidade de Riversul, das escolas municipais e estaduais, os quais participaram no mês de setembro da fase municipal onde a Escola Oswaldo Pires de Magalhães, classificou-se no gênero Poema; a escola Miguel João Pereira Padilha no gênero Documentário e a Escola Lázaro Soares, nos gêneros: Memórias Literárias, Artigo de Opinião e Crônica.

Aluna Açucena Martilho entre professores da E.E. Prof. Lázaro Soares, de Riversul-SP

Todos estes foram encaminhados à fase Etapa Estadual, cujo resultado foi divulgado no último dia 10 e a Escola Lázaro Soares foi classificada e selecionada entre as 443 produções semifinalistas de todo o Brasil.

O texto vitorioso é uma crônica de autoria da aluna Açucena Martilho, (9ª Ano), orientada pela professora Fernanda Freitas, as quais em breve participarão da premiação na cidade de São Paulo, onde serão anunciados os textos classificados em 2º lugar, em seguida, os semifinalistas dessa Olimpíada.

Professora Fernanda, aluna Açucena Martilho e a PC Rosana

No ano de 2016, a cidade de Riversul já foi contemplada com a medalha de 3º lugar nessa mesma Olimpíada com um texto do aluno Welyton, orientado pela professora Rosana, na escola do Bairro Padilha.

Na Olimpíada de 2016, o aluno aluno Welyton, orientado pela professora Rosana, da escola do Bairro Padilha.
                             

“Lá na minha terra”

Crônica de Açucena Martilho , aluna do 9º A

Dizem que o bom filho a casa torna…e eu, depois de estudar e viver alguns anos longe, também voltei para a minha terra natal. E foi a partir dessa minha volta que me dei conta de uma particularidade dessa cidadezinha: que ninguém é livre, todo mundo é de alguém. Pode parecer estranho, eu sei, mas vou explicar.

Aconteceu que, nos primeiros instantes de minha volta, ao desembarcar na rodoviária da cidade, olhos curiosos me acompanhavam. Eu, com duas malas e alguns anos adquiridos fora dali, despertei o interesse de quem por ali passava.

_ Quem será este que está chegando? – perguntavam as comadres.

_ Parece com o Marquinho.

_ Marquinho?

_ É, aquele, do João do bar.

_Nada, tá mais para o Pedrinho, do Zé do posto.

E assim as tentativas de adivinhações prosseguiram, e eu segui adiante.

Mais tarde, precisando comprar algumas coisas, fui a venda do Português e , diante do caixa, uma criança dizia:

_ É para marcar!

_Marcar para quem?

_ Marcar para a Maria!

_Qual Maria?

_É a Maria do João Riso.

Agora estava explicado para quem era a pendura.

Na volta para casa passo pela Praça São Pedro que, como de costume, reúne muitos senhores a distraírem-se com jogos de baralho. Não se preocupam com o tempo e nem com a prosa entre eles, que é para quem quiser ouvir.

_Ficou sabendo do que aconteceu com o Neco do João leiteiro?

_Não, o que foi?

_Deu praga na roça dele, perdeu tudo o que tinha plantado.

_Coitado! Será que deu também na plantação do Tonho, do Dito Saracura? Ë vizinho dele lá no sítio.

_Ah, esse eu não sei…

E eu vou passando e, além de saber das novidades, percebo mais uma vez que por aqui não adianta falar só o nome, tem que dizer de quem é, senão ninguém vai saber.

No cair da tarde o sino da igreja matriz toca, é para anunciar o falecimento de um ente querido que ali morava. Todos saem para fora de suas casas para ouvir direito de quem se trata, e a notícia vem:

_Faleceu hoje José Nascimento dos Santos.

Quem é? Ninguém sabe! E é por isso que o comunicado vem completo:

_ Faleceu hoje José Nascimento dos Santos, o “Zé da Lurde”.

Agora sim, todos sabem de quem foi o infeliz dia.

E assim chego a uma conclusão sobre essa cidadezinha: ela tem um povo muito bom e hospitaleiro, uma terra vermelha da boa, lindas paisagens verdes…e o diferencial é que nesse lugar ninguém está sozinho, todo mundo é de alguém. Se quer ser conhecido por aqui tenha sempre alguém a quem pertencer, conselho de amigo, fica mais fácil. Mas e eu? A quem eu pertenço? Quem pertence a mim? Ahhh, eu sou filho de Riversul, e vou logo tratar de arranjar alguém pra chamar de meu.

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