Aids: para infectologista, autoteste pode ser aliado para aumento do diagnóstico precoce

Na avaliação do médico infectologista e diretor clínico do Serviço de Ambulatórios Especializados em Infectologia “Domingos Alves Meira” (SAEI-DAM), a novidade pode representar um passo importante para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce da doença.

Dados de 2016, do Ministério da Saúde, apontam que mais de 800 mil pessoas vivam com HIV/aids no Brasil. O alarmante é que, desse total, 112 mil desconhecem ter o vírus. Com a proposta de reduzir estes números, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) registrou, em maio passado, o primeiro auto-teste para triagem do HIV, que em breve poderá ser comprado por qualquer pessoa em farmácias e drogarias do País.

Na avaliação do médico infectologista e diretor clínico do Serviço de Ambulatórios Especializados em Infectologia “Domingos Alves Meira” (SAEI-DAM), unidade da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), Alexandre Naime Barbosa, o autoteste pode representar um passo importante para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce da doença.

“O principal benefício é o aumento do número de diagnósticos de infecção pelo HIV, principalmente em fases mais precoces. Com o diagnóstico em estágios mais iniciais se evita que o paciente fique doente e sua vida seja colocada em risco, devido às graves complicações da aids. Além disso, ao saber ser portador do HIV, a pessoa passa a se prevenir mais usando o preservativo, o coquetel, e deixa de ser uma transmissora do vírus”, argumenta.

O produto tem sensibilidade e efetividade de 99,9% e o resultado leva de 15 a 20 minutos para ficar pronto. Por outro lado, a facilidade do acesso ao diagnóstico deve estar acompanhada de alguns cuidados. “Como todo teste sorológico, há uma janela imunológica. Ou seja, demora cerca de 30 dias para o teste acusar a infecção após a contaminação, pois esse é o tempo que o organismo demora para produzir esses anticorpos”, alerta.

Segundo Naime, apesar de poder fazer o teste por conta própria e a qualquer momento [como hoje ocorre com os testes de gravidez e diabetes], o paciente deve procurar imediatamente o serviço de saúde caso tenha ficado exposto ao vírus, como por exemplo, após uma relação sexual sem preservativo. Também é recomendado repetir o teste, seja em caso negativo ou positivo.

“O risco de não fazer tratamento para a infecção pelo HIV [sem o devido acompanhamento médico] é altíssimo. Sem as medicações corretas, o sistema imunológico vai aos poucos sendo destruído pelo HIV, e a morte é inevitável. Portanto, o autoteste vem facilitar o diagnóstico e o acesso ao tratamento mais precoce”, enfatiza.

Em relação às perspectivas de avanços para o diagnóstico e tratamento do HIV, o médico ainda destaca outras duas importantes novidades. “Uma é a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), estratégia de uso de medicação anti-HIV profilática previamente a situação de risco, em populações que com alta chance de infecção, e que entrará no SUS em breve. A segunda é Terapia Anti-HIV com a incorporação de uma nova medicação (dolutegravir), que trouxe grandes benefícios, pois é muito potente e possui pouquíssimos eventos adversos”, informa.

Entenda o autoteste para HIV / AIDS

– O teste traz o dispositivo de teste, um líquido reagente, uma lanceta (específica para furar o dedo), um sache de álcool e um capilar (pequeno tubo para coletar o sangue).

– O resultado leva de 15 a 20 minutos para aparecer.

– O teste deve ser repetido após 30 dias em caso de resultado negativo.

– Em caso positivo o resultado deve ser confirmado em um serviço de saúde.

– O teste é capaz de identificar o HIV 30 dias depois da possível contaminação. Se houver nova exposição (situação de risco), o teste deverá ser feito novamente respeitando este prazo.

Sobre o SAEI-DAM

Atualmente o SAEI-DAM é responsável pelo acompanhamento de aproximadamente 1 mil pacientes com HIV/aids de diferentes regiões de São Paulo, e até mesmo de outros estados. No entanto, estima-se que a região de abrangência do serviço acumule cerca de 5 mil pessoas contaminadas pela doença.

Além do acolhimento e atendimento de pessoas com testagem positiva para HIV, Hepatite B e Hepatite C, o SAEI também realiza a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), em casos de situações de risco até 72 horas do ocorrido. A PEP é uma forma de prevenir a infecção pelo HIV. Porém, para obter sucesso, a medicação deve ser ingerida por 28 dias consecutivos, e com início até três dias após a exposição. Tudo com supervisão médica.
(Da Assessoria de Imprensa da Famesp Botucatu, via 4 Toques)

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