HCFMB encerra XIV Enfhesp com exemplo de que é possível “fazer mais, com menos” na Saúde

Encontro de Enfermeiros de Hospitais de Ensino do Estado abordou a vulnerabilidade na garantia dos princípios do SUS frente à limitação de recursos –
Após dias bastante intensos de conteúdos e troca de experiências foi concluído com sucesso, no último dia 21, o XIV Encontro de Enfermeiros de Hospitais de Ensino do Estado de São Paulo (Enfhesp), realizado pela primeira vez no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). O tema deste ano foi “Vulnerabilidade na garantia dos princípios do SUS frente à limitação de recursos”.

O evento contou com pouco mais de 180 participantes de 27 instituições diferentes, entre hospitais, faculdades e universidades públicas e privadas do Estado. Além de 132 trabalhos científicos inscritos. Os melhores foram premiados no encerramento [veja abaixos os melhores trabalhos], que ainda contou com a apresentação cultural do projeto “Mulher Feliz”, vinculado à Famesp, e que propõe o resgate da autoestima e melhoria da qualidade de vida de mulheres vítimas de câncer de mama.

“Acredito que alcançamos nosso objetivo, que é a troca de experiência dentro de um assunto bastante atual: a limitação de recursos. Quem participou pode entender a realidade de um hospital do interior. Mostramos que em um momento de crise [econômica] do País, precisamos mais do que nunca ser criativos. Fazer mais, com menos. Às vezes você não tem recurso, mas compensa com muita vontade e planejamento. Um bom exemplo foi este próprio evento, que foi praticamente auto sustentável”, salienta a Enfa. Karen Batista, diretora do Núcleo de Apoio à Superintendência do HCFMB.

A próxima edição do Enfhesp está prevista para ser realizada no ano de 2020, no campus da Unifesp, na capital paulista.

Contra-referência e Lean Healthcare

O último dia de evento contou com novas palestras realizadas no Salão Nobre da FMB. A primeira apresentação foi sobre “Continuidade e Integralidade do Cuidado”, feita pela Enfa. Karen Batista, do HCFMB.

“O princípio da integralidade considera as pessoas como um todo, atendendo todas as necessidades e abrangendo todos os níveis de atenção. Ou seja, o paciente tem que ser atendido em todos os níveis de atenção do SUS”, explica.

Já o Enf. Ivan Antunes, do HC da Unicamp, abordou os “Desafios do Estabelecimento de Parcerias”. “Por não ter uma assistência continuada na atenção básica, muitos pacientes acabam voltando para o PS e não é esse o objetivo do SUS”, expõe.

A apresentação sobre “Desospitalização e Alta Responsável” foi realizada pela Enfa. Adriana Cavalcante, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP. “Nós buscamos reduzir o tempo de internação do paciente e também garantir o retorno mais rápido ao convívio familiar”, esclarece .

Após o término das apresentações foi organizada uma mesa redonda com o tema “Contra-referência: Utopia ou Realidade Frente às Redes de Atenção e Saúde?”, que teve como moderadora a Prof.ª Dr.ª Valnice Nogueira, da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.

A Enfa. do FCM – Unicamp, Gabriela Spagnol, tratou sobre “Lean Healthcare” [conceito criado pela indústria automobilística japonesa para aperfeiçoar os processos de gestão no ambiente de trabalho]. “Com o Lean Healthcare nós conseguimos mapear e discernir o que realmente agrega valor e importa na área da saúde”.

Apresentações de trabalhos na Central de Aulas da FMB finalizaram as atividades na parte da manhã.

Formação do Profissional e Cuidado ao Paciente

No período da tarde, o Enf. Alexandre Pazetto Balsanelli, da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) conduziu um bate papo descontraído com profissionais que contextualizaram a “Contribuição da Formação do Enfermeiro e dos Projetos de Extensão nos Hospitais de Ensino”. E em todas as falas, o sentimento é de que alunos da graduação, mestrado, doutorado e residentes podem contribuir e muito com a rotina prática dos profissionais de enfermagem.

“Muitos dos nossos problemas nascem porque quem recebe não compra a intencionalidade educacional e quem ensina não está valorizando o quanto o ambiente de trabalho está adequado àquela prática de ensino. Então se o hospital é de ensino o que tem que ser pactuado é um Plano de Ensino, com uma comunicação efetiva entre o cenário de prática com a expectativa do ensino”, comenta Profa. Dra. Edvane Birelo Lopes de Domênico, da Escola Paulista de Enfermagem da Unifesp.

“A presença do residente mexe com o enfermeiro que está no dia a dia da prática. Muitas vezes, ele vai fazer o enfermeiro repensar seu processo de trabalho, tirá-lo da zona de conforto. E isso pode ser positivo para melhora da organização da unidade. Além disso, o residente vai chegar com a visão externa, com proposta de melhorias. Mas claro que tudo isso depende de como o residente é recebido e apoiado pela equipe da unidade”, avalia a Enfa. Dra. Maria Andréia Silva Ribeiro, do Hospital Mário Gatti, de Campinas.

“Quem procura o mestrado profissional geralmente é o enfermeiro da prática, que chega procurando se desenvolver, qualificar, galgar um nível maior na carreira, mas também melhorar e resolver os problemas do dia a dia. E o Hospital de Ensino, por sua vez, precisa ver com bons olhos a formação do seu quadro e as vantagens que podem ser trazidas à instituição com a qualificação deste profissional”, enfatiza a Profa. Dra.Vera Lúcia Pamplona Tonete, do Departamento de Enfermagem da FMB / Unesp.

“Qualquer pesquisa precisa responder às necessidades de saúde. Mas isso tem sido feito de forma muito dicotomizada em relação à prática. Como a gente pode pensar uma pesquisa em um hospital de ensino sem ter uma divisão ou núcleo de pesquisa? A pesquisa deve ser cada vez mais participante, articulada e engajada. Tem que fazer sentido às pessoas que estão no dia a dia do trabalho”, complementa a Profa. Dra. Cássia Baldini Soares, da Escola de Enfermagem da USP.

Por fim, a Enfa. Carla Bernardes Ledo, do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, pode compartilhar com o público presente um pouco sobre o “Envolvimento e Experiência do Paciente no Processo do Cuidar”. Segundo ela, o Sírio Libanês passou a melhorar ainda mais seus índices de satisfação e resolução dos casos assim que incorporou medidas para poder compreender melhor as necessidades de seus pacientes.

“Hoje temos uma discrepância muito grande dos serviços, mas que vai além da infraestrutura. E para que isso funcione é preciso um amadurecimento para mudanças que devem estar ligadas com a participação do paciente. O componente técnico é nossa obrigação, mas se não tiver o componente humano e de um cuidado centrado no paciente, não há avanços. É preciso empatia, criar canais de comunicação e saber ouvir a história de cada pessoa para assim melhorar o serviço de assistência”, afirma.

Trabalhos premiados no 14º Enfhesp

1º lugar

Tema: Avaliação de Usabilidade de um Sistema Informatizado para Acolhimento e Classificação de Risco em Obstetrícia

Autores: Clarita Terra Rodrigues Serafim, Rodolfo Cristiano Serafim e Rodrigo Jensen

2º lugar

Tema: Ambiente da Prática da Enfermagem e os Resultados com Pacientes, Profissionais e Instituições

Autores: Thelen Daiana Mendonça Ferreira, Sandro Ferreira dos Reis, Silvéria Rosa Lara Macêdo, e Renata Cristina Gasparino

3º lugar

Tema: Comparação de Custos dos Banhos de Leito Convencional e Descartável: Ensaio Clínico Randomizado

Autores: Débora Cristina Paulela, Silvia Cristina Mangini Bocchi, Alessandro Lia Mondelli, Luis Cuadrado Martin, e Adriana Regina Sobrinho

(Da 4 Toques Comunicação)

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