Professores da rede municipal de Itapeva vão a Câmara por aumento salarial

Na segunda-feira, 11, professores da Rede Municipal de Ensino estiveram na Sessão Ordinária da Câmara Municipal  para pedir apoio da Casa em suas reivindicações de aumento salarial. Na ocasião usou o espaço da Tribuna do Povo o professor Carlos Eduardo da Silva que apresentou o pleito da categoria – professores e funcionários da Secretaria Municipal de Educação.

 
Na Sessão os vereadores manifestaram apoio aos profissionais da educação, frisando a necessidade de se formar uma comissão para discutir os pleitos da categoria com o Executivo Municipal.
 
 
 

Em seu pronunciamento Carlos Eduardo agradeceu aos vereadores  Ney Gonçalves e Eliel Ferreira que no sábado, dia 03 de março participaram de uma reunião com professores e ouviram suas reivindicações. Afirmou que estava fazendo ecoar a vontade de todos os profissionais da educação de Itapeva, que foi expressa em cartazes distribuídos pela cidade, em redes sociais, nas escolas, entre amigos, comunidade e demais setores que se identificam com a causa. 

Afirmou que "minha fala aqui na tribuna do povo é singular e pode ser expressa em um único pensamento: Educadores da rede municipal de Itapeva lutam por melhores salários. Imaginamos que isso é o mínimo que podemos exigir ao poder público de Itapeva. Pedimos que olhem para os homens e mulheres que trabalham diariamente na construção e desenvolvimento da cidade, da região e não sendo demagogo, do Brasil e do mundo. É do conhecimento de todos que a Educação é o meio que promove a paz e a justiça social". 
 
 
 
 

O professor citou o terrível acontecimento que chocou o Brasil e o mundo na última quinta-feira, no Rio de Janeiro. Terrível exemplo de descaso com a estrutura educacional. "Dia a dia também lidamos com estudantes com sérios problemas emocionais. Quero deixar bem claro a todos os presentes que não estamos pensando apenas em nossos salários, pensamos também em melhores condições de trabalho, pensamos nas salas lotadas e também no desinteresse dos estudantes, tudo isso passa pela melhor fidelização dos profissionais da educação, fidelização salarial. Onde anda o bônus dos professores? Cidades com arrecadação menor que a nossa premia seus profissionais com 3, 4, 5 até 6 mil reais".

Prosseguiu afirmando que na  Prefeitura uma merendeira e orientadores ganham menos de 700 reais. Os professores daqui um tempo estarão ganhando salários mínimos. "Exigindo melhores salários estamos pedindo também o resgate de nossa dignidade, que virá em contas pagas em dia, melhores condições para nós e nossos dependentes, saúde do profissional e sua família e indiretamente nos salários dos outros, já que a educação é base para toas as ocupações sociais".

PESQUISA –  Para ilustrar a falta de reconhecimento para com os profissionais da educação o professor disse que colheu algumas reportagens veiculadas recentemente na mídia: "Em estudo feito pela fundação Carlos Chagas intitulado "A atratividade da carreira docente", a estudiosa do assunto Bernadete Gatti discute o envelhecimento da força de trabalho docente e a necessidade de atrair novos professores. Bernadete apontou que 30% dos novos professores desistem do Magistério, em média, três anos depois do ingresso e o motivo principal é salário. Na publicação feita no dia 21 de março de 2011, no Jornal Folha de São Paulo com o título "Professor novato desiste de aulas", o jornalista Fábio Takahashi levanta o seguinte dado: "Por dia, dois docentes recém-concursados abandonam Escolas em São Paulo". Motivo principal: salários. Em publicação feita pela UNESCO foi registrado que 83% dos alunos têm professor insatisfeito. O estudo da Unesco, intitulado "Um Olhar para o Interior das Esc
 olas", faz parte do programa WEI – sigla em inglês que significa Indicadores Mundiais de Educação, que monitora a educação em países em desenvolvimento. Sobre o alto grau de insatisfação dos professores brasileiros com seus salários, o representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny, destaca outro dado do relatório, que mostra que o percentual de alunos cujos professores trabalham em mais de uma escola chega a mais de 50% no Brasil, o maior entre todos os países analisados. 

AUTO-ESTIMA – Salientou que trabalha em duas escolas EM Newton de Moura Müzel e ETEC Dr. Demétrio Azevedo Júnior e se sente um privilegiado por isso, pois já trabalhou em 5 escolas para poder pagar as contas. Citou como exemplo uma colega fazendo tratamento de saúde porque não consegue mais dar aulas, pois a estrutura da escola não lhe dá condições de trabalhar. Um colega foi à sua casa pedindo dinheiro para comprar uma camisa pólo, pois não tinha. A justiça só virá com uma remuneração justa e é preciso resgatar a auto-estima dos professores através de um salário digno e compatível com  a formação e empenho. 

QUALIDADE – Carlos Eduardo fez um apelo aos vereadores, reivindicando melhores salários e frisou que seria injusto pedir aumento sem mérito, e por isso apresentou um dos principais indicadores que é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica para medir a qualidade da educação. O índice enfoca o crescimento da qualidade pedagógica. O índice de 4ª série e 5º ano no município de Itapeva aumentou de 4,7, em 2005 para 5.5 em 2011 – quase 1,0 que equivale a 20% a mais apresentado no cálculo do primeiro índice. Já na 8ª série e 9º ano o Ideb observado em 2005 foi de 4,5 e em 2011 foi de 5.0. o que demonstra que os índices de desenvolvimento básico de Itapeva aumentaram, mas os salários dos professores não aumentaram. 

REAJUSTE – Fala sobre os gastos que os professores têm com seus alunos, porque a educação não banca material suficiente para que as aulas tenham conteúdo. "Não queremos desistir de dar aulas, porque amamos dar aulas, Por isso é justo e justificável o pedido de aumento salarial e falo mais a vocês vereadores, professores e comunidade. Temos que fazer desta casa, da nossa casa, e das nossas aulas permanentes ambientes de discussão sobre a importância da Educação para a vida, procurando identificar problemas e levantar soluções como as que apontamos como imediatas. Agora peço que façam cumprir nosso pedido – salário com reajuste de 40% para atender todas as perdas salariais que tivemos durante os últimos anos. ". Concluiu sua fala com um pensamento do educador Rubem Alves: "Educadores, onde estarão? Em que covas terão se escondido? Professores, há aos milhares. Mas professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão, é vo
 cação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança. Não permitamos que ninguém venha tirar esta paixão que por ideal de nossa vocação tem nos preservado. Vale a pena sonhar, vale a pena lutar de forma consciente e não manipulados por quem quer que seja". 

APOIO DOS VEREADORES – O vereador Roberto Comeron parabenizou o professor Carlos Eduardo e disse que acredita que investir na educação não é apenas construir escolas, mas sim dar segurança, investir no professor, dar condições para que ele execute bem sua profissão. Por sua vez o vereador Wilson Roberto Margarido lembrou que a classe unida jamais será vencida. 

O vereador Eliel Ferreira agradeceu  a presença de todos e informou que após a  reunião com os professores no sábado, recebeu  oficio da  secretária de Educação Selma  do Carmo Buhrer Cravo onde constam os reajustes concedidos à categoria no decorrer dos últimos anos. Afirmou ter conhecimento de que  a secretária está pronta pra receber uma comissão de professores e  que deve ser tomada decisão nesse sentido.

Por sua vez a vereadora Áurea Aparecida Rosa disse que o ofício que o colega recebeu é intrigante, pois não há necessidade da secretária explicar o que se deve fazer, mas sim quem faz acontecer são os profissionais. O patrão vai ter de ouvi-los. Vocês que vão dar as regras do jogo na negociação coletiva e isso deveria ser feito com todos os servidores municipais. Vamos pegar o orçamento, verificar e o executivo que dê a contrapartida, que tente resolver a situação. O estresse que os professores passam na sala de aula não tem tamanho. 

O vereador Marmo Fogaça esclareceu  que são duas situações diferentes: um é o Projeto de Lei que autoriza 6% de aumento para todos. Para o mês de maio virão projetos de reforma administrativa de alguns cargos e são nessas questões que deverá ocorrer a negociação. O vereador não tem condições de dar 35, 40% de aumento para os professores. Há também os desvios de função que deverão ser analisados. Cita as melhorias concedidas às merendeiras, por exemplo. Sugere a composição da comissão de professores e vereadores. "Temos que trabalhar com o orçamento, onde dá para aumentar, onde dá pra cortar. Há intenção da secretaria em fazer um concurso para o auxiliar, mas se for uma despesa maior não tem como dar reajuste. 

O vereador Paulo Roberto Tarzã dos Santos lembra as conquistas que já ocorreram tecendo comentários sobre as benfeitorias que a categoria já ganhou. Fala sobre as lutas que estão sendo travadas, como plano de saúde para todos. Essa semana chega o instituto de previdência municipal. Tem vantagens para os servidores e a Câmara Municipal de Itapeva vai votar àquilo que os profissionais quiserem. É interessante que se faça uma comissão e que todos saibam que o prefeito é que tem o poder de decidir ou não. Fala sobre o orçamento, os parâmetros para se trabalhar. É favorável que os que ganham menos tenham um percentual maior, partindo desse valor. Democracia dá trabalho, ninguém quer abrir mão de nada. Tem que ser feita muita negociação. 

O presidente Paulo de la Rua cumprimentou a todos que vieram `Câmara e diz que sempre questionou a falta de união da classe, e hoje pode ver que a conscientização chegou e isso irá gerar frutos. Há que se observar os tetos impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal – 51% é o máximo que se deve gastar com a folha de pagamento.  O salário de vocês não é justo e compatível, mas essa lei tem que partir do Executivo. É preciso montar essa comissão e iniciar a conversa. (Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal).
 
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