Programa de rádio “Café com a Presidenta”, com a Presidenta da República, Dilma Rousseff

No Café com a Presidenta desta segunda-feira, a presidenta Dilma Rousseff fala de sua viagem à China, com a qual o Brasil acabou ampliando as relações comerciais, de forma que mais produtos brasileiros serão colocados naquele país, além de 20 acordos que prevêem obtenção de investimentos chineses no Brasil, bem como parcerias no campo de pesquisas tecnológicas.

 
Rádio Nacional, 18 de abril de 2011


Luciano Seixas: Olá, bom dia. Começamos agora mais um “Café com a Presidenta”, o nosso encontro semanal com a presidenta Dilma Rousseff. Tudo bem, Presidenta?

Presidenta: Tudo bem, Luciano. Um abraço a todos que nos acompanham.

Luciano Seixas: A senhora acaba de chegar da China. Nós acompanhamos daqui a sua agenda e os encontros realizados. Como foi a viagem, Presidenta?

Presidenta: Olha, Luciano, a viagem foi bastante proveitosa. Eu diria que foi muito bem-sucedida porque nós alcançamos os nossos principais objetivos: o de abrir as portas para que mais produtos brasileiros, produtos mais elaborados, entrassem na China; e trabalharmos juntos em áreas importantes, como a de ciência e tecnologia. Assinamos 20 acordos com o governo chinês. Alguns para desenvolvermos pesquisa nessa área – ciência e tecnologia – e também [para] fecharmos bons negócios com empresários, que vão investir mais no Brasil.

Luciano Seixas: E que investimentos são esses, Presidenta?

Presidenta: Sabe, Luciano, são investimentos que, além de trazer dinheiro e novas tecnologias, também vão gerar emprego para milhares de trabalhadores. Eu vou te dar alguns exemplos. A ZTE, que é uma grande empresa estatal chinesa que produz equipamentos para a área de comunicação, a ZTE vai construir uma nova fábrica, com investimento de mais de R$ 350 milhões, gerando milhares de novos empregos em Hortolândia, no interior de São Paulo. Outro exemplo foi a Foxconn, que é uma grande empresa, líder no setor de componentes para computadores, celulares e televisores. Esta empresa propôs, e nós vamos começar as negociações para a instalação de uma fábrica no Brasil que irá produzir telas de celulares, telas de televisores e telas de tablets, aqueles computadores pequenos que funcionam com um toque de dedo. Sabes qual, Luciano?

Luciano Seixas: Sim, Presidenta.

Presidenta: Nós não achamos que será fácil. Nós vamos ter muito trabalho pela frente, vamos ter de formar brasileiros e brasileiras capacitados para trabalhar nesta área de tecnologia de informação. Mas uma coisa é certa: as empresas não estão vindo para cá por acaso. No ano passado, o Brasil foi o terceiro país que mais vendeu computador no mundo, e isso significa um grande mercado potencial.

Luciano Seixas: E, com certeza, vai baratear o custo desses equipamentos aqui no Brasil.

Presidenta: Exatamente. Nós vamos popularizar esses equipamentos. Queremos que eles sejam comprados por qualquer cidadão.

Luciano Seixas: E que produtos brasileiros nós vamos vender para a China?

Presidenta: Um dos acordos que firmamos foi abrir o mercado chinês para a exportação de carne de porco. Um outro, ainda, foi para a venda de aviões. A Embraer já vende aviões para a China mas, nessa viagem, nós combinamos a venda de 35 aviões da família B-190. São jatos que vão gerar em torno de US$ 1 bilhão para o Brasil.

Luciano Seixas: Isso tudo melhora bastante o nosso comércio com a China, não é?

Presidenta: Sem dúvida, Luciano, melhora, sim. Olha, desde 2004, quando o presidente Lula esteve pela primeira vez na China, nós evoluímos muito no volume do nosso comércio, e a China tornou-se o nosso maior parceiro comercial. Essa parceria tem sido boa em vários setores. Nós realizamos, por exemplo, várias pesquisas e iniciativas na área de satélite. Lançamos, juntos, três satélites, e agora vamos lançar o quarto e o quinto. Esses satélites servem para acompanhar a agricultura, ver como está a lavoura, e também monitorar a Amazônia. E essa parceria vai ser muito importante para a implantação do nosso programa de prevenção de catástrofes.

Luciano Seixas: A senhora saiu satisfeita, então?

Presidenta: Muito satisfeita. Acho que foi um salto de qualidade nas nossas relações. Mas ainda queremos mais. Hoje nós vendemos muita matéria-prima para a China. Queremos vender a matéria-prima, mas também queremos vender os produtos mais elaborados. Vou explicar com um exemplo: o produto que mais vendemos para os chineses é o minério de ferro. Queremos também vender aço e mesmo produtos acabados de aço. Estou muito confiante na cooperação mútua entre o Brasil e a China.

Luciano Seixas: Falando em cooperação mútua, a senhora também esteve na reunião dos BRICS, cujo nome é composto pelas letras B, de Brasil; R, de Rússia; I, de Índia; C, de China; e agora S, de South África – África do Sul, em inglês. Como é que foi, Presidenta?

Presidenta: Foi muito importante, Luciano. Nessa reunião dos BRICS, nós discutimos temas importantes para os países em desenvolvimento, como o combate à pobreza, um comércio mundial mais equilibrado e o controle da especulação financeira, responsável pela crise. Também, Luciano, uma outra questão é importante: o Brasil foi convidado, pela primeira vez, para participar de um fórum – o Fórum de Boao – que reúne todos os governos, os empresários e as lideranças da Ásia. No Fórum de Boao, eu manifestei para o Primeiro-Ministro japonês, que estava presente, a solidariedade do governo e do povo brasileiro.

Luciano Seixas: Presidenta, estamos chegando ao fim do nosso bate-papo. Obrigado e até a semana que vem.

Presidenta: Eu é que agradeço, Luciano. Tchau!

Luciano Seixas: Você pode acessar este programa na internet. O endereço é www.cafe.ebc.com.br. Voltamos na segunda-feira. Até lá!
(Da Secretaria de Imprensa da Presidência da República)
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