Sidnei Almeida: Crédito Pessoal – Financiamento, Empréstimo ou Jogo?

No artigo da semana passada falamos um pouco sobre a recente historia do crédito no Brasil. Para algumas pessoas ao falar de crédito, empréstimo ou financiamento o entendimento é associado a algo ruim, alguma dificuldade, porém nem sempre é negativo.

Primeiro vale a pena entender que a palavra crédito ver do latim “crédere” que significa crer ou confiar, portanto é uma palavra positiva, pois o crédito é dado às pessoas/empresas de confiança. Ao entender este conceito, podemos trazer para nossa vida e analisarmos como conquistamos a confiança das pessoas com quem nos relacionamos e vemos então que somente com atitudes positivas, cumprimento de palavras, transparência nas ações é que temos confiança de pessoas, bem como confiamos em outras.
Assim podemos ter uma idéia de como obter aprovação para algum crédito, mas assim como nos relacionamentos as empresas/bancos sabem que o crédito também pode ter atitudes falsas que geram e levam à confiança, mas depois de concedidos deixam de ser honrados, ou seja, há mudança de atitude. Por isso a atitude tem que ser consistente e ter o “nome limpo” na SERASA e SPC nem sempre significa ter crédito aprovado.

Mas o crédito que obtemos junto a um banco ou financeira tem duas grandes modalidades, que é o empréstimo e o financiamento.
O financiamento normalmente está ligado à aquisição de algum bem que acaba sendo a garantia do banco, por isso as taxas de juros tendem a ser menores e a aprovação mais fácil que o empréstimo. Também há o fator do banco ter a loja que faz a venda como parceira comercial, o que pode ajudar em todo o processo de aprovação. No caso de financiamento falamos de casas, onde as construtoras e imobiliárias são parceiras de bancos, bem como carros e outros bens. Vale entender que quanto mais estável for o valor do bem adquirido, menor tende a ser a taxa de juros, por isso os juros de financiamento de uma casa costumam ser os mais baratos.

Ainda na modalidade financiamento temos muito comum em nossa região o financiamento de lavouras, que embora as lavouras em si não tenham valor nem produção garantida acaba tendo juros menores pelo interesse social do governo na produção de alimentos subsidiando assim algumas produções, além do fator que normalmente as terras onde são plantadas as lavouras são dadas como garantia do financiamento, aumentando a segurança dos bancos quanto à recuperação do valor financiado se não pelo pagamento pela execução da garantia.

Os financiamentos também podem ser para educação/faculdade como o FIES por exemplo.

Mais comum e fácil de obter temos os empréstimos, que podemos dizer ser mais perigoso para os dois lados. Do lado dos bancos/financeiras é o risco, uma vez que não estão associados à compra de um bem específico e, portanto dificulta a obtenção de garantia e recuperação do valor. Do lado de quem toma o empréstimo o perigo está nas taxas mais alta e na facilidade e utilização do mesmo nas chamadas “bolas de neve”, quando usamos de um empréstimo para pagar outro. Nesta categoria o que possui a menor taxa de juros é o empréstimo consignado, ou seja, enquanto tivermos trabalhando no mesmo emprego o banco tem assegurado o recebimento, pois “recebe antes” quando a parcela já é descontada do nosso salário.

Embora não recomendado, o empréstimo pode ser uma saída para cheque especial e cartão de crédito (duas das taxas de juros mais caras do mercado), desde que o cartão seja quebrado e nenhum cartão adquirido até que se termine de pagar o empréstimo, ou no caso de cheque especial o limite seja zerado também até o pagamento total do empréstimo. Aqui a quebra do cartão e ou zerar o limite evita a “bola de neve”, sendo a mudança de um crédito ruim para um melhor.

O empréstimo pode ser uma boa opção quando temos algum projeto, mas não queremos nem podemos abrir para alguém e não temos dinheiro suficiente, desde que a taxa de juros valha a pena.

Mas a oferta de crédito mais perigosa é aquela que diz que tem crédito aprovado mesmo com o CPF “negativado”, pois quem toma é claramente para a “bola de neve”, portanto as taxas de juros são abusivas e ao final acabamos pagando até mais de duas vezes o valor.
Importante ter crédito, financiar uma casa, se necessário carro, educação/faculdade, evitar o empréstimo e fugir de crédito para “negativado” (não existe crédito para “negativado, é um jogo onde um certamente vai perder).

Envie sugestões de temas, dúvidas, críticas através do e-mail [email protected] ou através do Messenger do autor (Sidnei Almeida).

* Sidnei Almeida, natural de Itaporanga, formado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Paraná com extensão em Gestão Econômica Financeira pela Fundação Dom Cabral, além de vasta experiência em grandes empresas na área de financeira e crédito e bancos como Banco do Brasil, HSBC, Banco Renault/Santander e atualmente BNP Paribas, líder europeu.

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1 Comentário
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João Ribeiro
João Ribeiro
11 de outubro de 2021 20:37

-Parabéns Sidnei.